Maratona teatral
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de maio de 1997
Telma Elorza 
O segundo dia do Festival Internacional de Londrina (Filo) traz uma agenda movimentada. Ao todo quatro espetáculos - dois nacionais e dois internacionais - levam o público a vários locais da cidade. Além disto, a programação paralela traz também uma roda de capoeira, com o grupo Kapoera, às 15 horas, no Bosque.
A programação oficial começa às 11h30, no Calcadão, com o espetáculo de rua U Fabuliô, do grupo brasileiro Parlapatões, Patifes & Paspalhões. Às 19h30, no Teatro Zaqueu de Melo, Maria Alice Vergueiro & Cia apresentam a peça No Alvo (veja texto nesta página). No Cine-Teatro Ouro, às 20h30, o canadense Carbone 14 reapresenta o espetáculo Les Âmes Mortes e, para encerrar a noite, o grupo espanhol Nats Nuts Dansa mostra seu Bolero, às 22 horas, no teatro Núcleo 1 (leia texto nesta página).
O espetáculo U Fabuliô, dos Parlapatões, é uma transformação de contos franceses da Idade Média em uma única história. O próprio nome da peça mostra as intenções do grupo: U Fabuliô é o jeito que inventou para abrasileirar a palavra francesa fabliaux , um gênero licencioso da fábula.
O espetáculo, escrito e dirigido por Hugo Possolo, utiliza o humor sarcástico e recursos circenses e, como antigos trabalhos dos Parlapatões, traz um aparente improsivo que é sustentado por uma rígida estrutura dramatúrgica originada na comédia ocidental dos séculos 13 e 14.
A história é narrada por um vendedor ambulante, típico das ruas de uma grande cidade. Ele chega em uma estranha carroça em forma de barco com asas, acompanhado de loucos e dementes que tocam estranhos instrumentos. Ao contar sua história - cheia de contos de rir da Idade Média que trazem elementos eróticos, fantásticos, espirituosos, cômicos ou simplesmente cruéis -, transfere a trama campesina para o sertão nordestino sem determinar tempo ou espaço. Os figurinos misturam roupas feudais com materiais produzidos artesanalmente no Nordeste. É a roda formada pelo público que compõe o cenário: dentro dela, os artistas criam os ambientes onde contam os causos. O grupo se apresenta hoje no Calçadão (ver programação nesta página).


