Maquiavel e a política
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de agosto de 1998
Zeca Corrêa Leite 
Em Curitiba, o ciclo de palestras que está acontecendo no Teatro da Federação Espírita do Paraná, Brasil 500 Anos - Experiência e Destino, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura, terá hoje a participação de Newton Bignotto, que falará sobre Maquiavel e o Novo Continente da Política.
Doutor em Filosofia pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, de Paris, Mignotto dedicará sua palestra às artes do florentino Niccol# Maquiavel em conceber a criação de novas formas políticas. Enfim, numa época de descobertas continentais, o pensador dava-se ao luxo de passar ao largo das questões relativas a extensões territoriais e povos desconhecidos, para enveredar, isto sim, nas tramas do poder.
Luiz Felipe de Alencastro estará amanhã no ciclo para abordar A Economia dos Descobrimentos. O professor, com doutorado em História na Universidade de Paris, afirma que duas características principais marcam a era dos descobrimentos: a primeira são as próprias características da monarquia portuguesa e a segunda refere-se aos progressos da navegação marítima.
Sem poder político para baixar taxas tributárias na aristocracia e ordens religiosas, a monarquia de Avis cria uma tributação indireta sobre a burguesia mercantil. Explica-se em parte o interesse dos reis e da aristocracia em estimular e financiar as empreitadas ultramarinas montadas pelos comerciantes. Os lucros são líquidos e certos.
Já os avanços técnicos contribuem para a expansão européia, mas uma etapa decisiva se dá entre 1419 e 1427, quando os portugueses descobrem a Ilha da Madeira e os Açores. Até então as viagens em direção ao Equador e ao Hemisfério Sul eram um assunto delicado pela falta de uma rota de retorno. Tendo esses locais para fazer a escala, e contando com ventos favoráveis, só podia haver a ampliação comercial, que foi o que realmente aconteceu.
Portugal mantinha seu império essencialmente na circulação da mercadoria, daí que seu objetivo principal era a Ásia, uma zona produtora e mercantil de primeira importância. Voltada para essas ocupações, a monarquia mal tomava conhecimento das recém-descobertas terras brasileiras. Seu objetivo era secundário e assim foi até meados do século XVI. O posterior desenvolvimento histórico aparece como um dos paradoxos da economia dos descobrimentos, diz Alencastro.
Brasil 500 Anos - Experiência e Destino - hoje, palestra de Newton Bignotto sobre o tema Maquiavel e o Novo Continente da Política. No Teatro da Federação Espírita do Paraná, Alameda Cabral, 300, em Curitiba. tel. (041) 223-6174. Início às 19h30.


