Marcos BorgesO grupo que construiu a maquete com o professor Humberto Yamaki e o técnico Carlos Duarte: reprodução detalhadaCalcula-se que 10% da população mundial tenha algum tipo de deficiência, seja visual, motora ou auditiva. Mesmo assim, a grande maioria dos projetos arquitetônicos desenvolvidos para espaços públicos contempla apenas as pessoas fisicamente perfeitas. Para começar a despertar nos novos profissionais este tipo de preocupação, o curso de Arquitetura da Universidade Estadual de Londrina tem desenvolvido entre os alunos projetos que chamam a atenção para os deficientes.
Tempos atrás o professor Humberto Yamaki trabalhou com alguns de seus alunos uma atividade que visava identificar a paisagem olfativa de Londrina: eles saíam em duplas, um deles usava uma venda nos olhos e ia dizendo ao outro os cheiros que sentia em cada canto da cidade. ‘‘O objetivo era identificar os locais sob uma ótica diferente, investigar aspectos que fossem além dos desenhos utilizados no piso, por exemplo’’, explica o professor, lembrando que os arquitetos, de uma maneira geral, trabalham muito com a questão visual, quando há outros sentidos a ser trabalhados, como o tato e o olfato.
Na opinião de Yamaki, o desafio dos profissionais do futuro é justamente esse: fazer cidades que permitam a toda a população usufruir dos espaços públicos. ‘‘As escolas devem trabalhar a sensibilidade dos alunos para isso’’, diz. No ano passado, ele começou a colocar em prática com os alunos um outro projeto, também visando os deficientes visuais: a construção de uma maquete tátil do Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (ILITC).
Feita em kiri (um tipo de madeira leve e resistente), imbuia e acrílico (no lugar dos vidros), a maquete é toda desmontável e traz as indicações em código braile, permitindo que os deficientes identifiquem cada cômodo do prédio. ‘‘O deficiente visual, principalmente aquele que nunca enxergou, não consegue ter a noção de conjunto. Ele tem facilidade para reconhecer apenas as partes que consegue tatear’’, informa Humberto Yamaki.
Com a maquete é possível identificar o formato do prédio (inclusive já com o último andar, atualmente em término de construção), a localização dele dentro do terreno, o local exato em que fica o ponto de ônibus, as árvores, as inclinações existentes, enfim, tudo está detalhadamente reproduzido. Ela foi construída sobre uma armação móvel, que pode ser facilmente levada de um local para outro através de sistema de rodinhas.
A reprodução em miniatura do ILITC foi construída no Laboratório de Maquetes do Curso de Arquitetura da UEL, e feita a partir de materiais doados pela comunidade. Nos próximos dias ela será transferida para o Instituto, onde vai ficar à disposição dos aproximadamente 100 alunos que frequentam gratuitamente a instituição para atendimento especializado e apoio escolar.
O projeto de extensão que resultou na construção da maquete foi desenvolvido pelas alunas Karen Koutaka, Lidiane Centurion, Lara A. Torres e Vany K. Kanabushi, sob coordenação do professor Humberto Yamaki e apoio do técnico em maquetaria Carlos Alberto Duarte.

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