Mapplethorpe retratou a própria vida em sua obra
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segunda-feira, 03 de março de 1997
Adi Leite Agência Folha 
As pessoas que forem visitar a exposição de Robert Mapplethorpe no MAM-SP estarão entrando em contato com a obra fotográfica de um cronista que utilizou como tema a sua própria vida.
A impressão que se tem é que Mapplethorpe procurou resolver esteticamente o seu conflito em vida, sua preocupação com a forma humana, evidenciada inclusive em seus estudos com flores.
Tudo está voltado para a sensualidade, ainda que de uma forma cruel. Essa sensual crueldade é certamente o fator causador da polêmica em torno de sua obra, cujo tema ainda não foi assimilado pela sociedade, embora já tenha sido assimilado pela mídia (um de seus auto-retratos serve para a campanha publicitária da grife Helmut Lang).
Seu refinamento estético foi objeto de estudo do Museu de Fotografia da Califórnia, que fez uma exposição comparativa da obra de Mapplethorpe com a obra de Edward Weston.
Carreira Filho de uma família católica, em sua adolescência aprendeu a tocar saxofone, pois queria ser músico. Depois foi estudar pintura e escultura no Pratt Institute, no Brooklyn.
Começou a se interessar por fotografia ao entrar em contato com fotos de sex shops e revistas de pornografia homossexual.
Entre 1969 e 1970, passou a fazer seleção de imagens para revistas pornográficas. A partir de 1972, começou a produzir suas primeiras imagens com uma Polaroid.
Desde 1977, quando comprou uma câmera Hasselblad, passou a se dedicar inteiramente à fotografia e desenvolveu seu trabalho em estúdio. Nos anos 80, colaborou com várias revistas, como Vanity Fair e Vogue.


