Mapas mostram fronteiras do passado do Brasil, de SP e da América
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segunda-feira, 27 de dezembro de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 27 (AE) - Na quarta-feira o governador Mário Covas vai receber o primeiro exemplar. Caso o leitor aceite conselho, vale procurar o seu exemplar desse calendário, que certamente não vai abrilhantar nenhuma parede de borracharia, mas é igualmente imperdível.
O Calendário Imprensa Oficial 2000 traz 12 mapas históricos raros do País e da América que ilustram a visão antropológica e geográfica do Brasil ao longo do século. Para enxergar o futuro, nada melhor do que dar uma olhadela no retrovisor do passado, diria o pensador. E não se sinta intimidado pela palavra oficial que o calendário carrega: ele é realizado há 40 anos e tem um nível de produção gráfica que já o fez ganhar um dos Oscars do gênero, o Printing Industries of America, por dois anos consecutivos.
Em anos anteriores, o Calendário Imesp retratou o acervo da Pinacoteca, o Museu de Arte Sacra e o Palácio dos Bandeirantes. O tema do calendário do ano 2000 (mapas históricos da América, do Brasil e de São Paulo) foi sugerido pelo bibliógrafo José Mindlin. A circunstância também ajudou: durante um dos seus chás intelectuais na sua casa do Brooklyn, Mindlin conversava com Carlos Nicolaewsky, diretor industrial da Imesp.
Nicolaewsky, ex-funcionário do jornal Última Hora (segundo o diretor da Imprensa Oficial, Sérgio Kobayashi, o jornalista Samuel Wainer não cometia nenhuma aventura gráfica sem consultar Nicola, como é conhecido), adaptou o vislumbre histórico de Mindlin a uma concepção gráfica. Eles selecionaram 38 mapas e fizeram novas sessões de esquadrinhamento de suas potencialidades visuais para chegar aos 12 que compõem o calendário.
A Imprensa Oficial do Estado gastou cerca de R$ 50 mil com o calendário, segundo seu diretor-presidente, Sérgio Kobayashi. "Alguns deles são extremamente raros", diz Kobayashi. Segundo ele, a Imesp estava procurando tratar do tema do 5.º centenário, mas sem recorrer ao lugar-comum. "Todo mundo está trabalhando com os mapas conhecidos, que têm aqui na Biblioteca Nacional, mas nós tentamos revelar mapas desconhecidos", afirmou.
"Ao reproduzir os mapas que representaram o solo brasileiro ao longo dos tempos, vemos espelhadas, além dos limites territoriais neles apontados, as expectativas dos cartógrafos autores num época em que, à falta de equipamentos apropriados, utilizavam-se basicamente da intuição como instrumento de interpretação", escreveu Kobayashi, no texto de apresentação do catálogo.
Atração irresistível - José Mindlin, colecionador contumaz, diz que ignorou a cartografia até os anos 60. "Perdi um tempo precioso, mas consegui recuperá-lo, e hoje tenho por mapas a mesma atração irresistível que os livros sempre exerceram sobre mim", afirmou.
Entre os cartógrafos que Mindlin revela na série estão dois João Teixeira Albernaz, o Velho (1601-1666) e o Moço (1627-1675). São os autores que mais mapas dispuseram entre os 12 meses do ano. Entre outros, há obras de Jan Jannsonius, Arnoldus Florentins, Nicolas Sanson (Sanson dAbbeville), J. Finlayson. Os mapas ilustram a visão do Brasil e da América entre os séculos 16 e 17.
São Paulo aparece nos mapas como uma vila idílica no alto do planalto, proporcionalmente inferior à importância geográfica de Santos e São Vicente. Era, naquele tempo, apenas um aglomerado pré-urbano em torno de um colégio jesuíta. O cartógrafo Francisco José de Lacerda mostra, em um mapa vertical
uma planta do Rio Tietê (ou Anhembi, na Capitania de São Paulo) "desde a cidade do mesmo nome até a sua confluência no Rio Paraná, ou Rio Grande".
Não haverá festa de lançamento, mas a Imesp resolveu colocar à venda o calendário, para eventuais interessados. Os calendários da gráfica estatal alcançaram há pouco tempo o status de "obra de arte gráfica", como diz Kobayashi, deixando de ser "folhinhas". Mesmo assim, a distribuição, quase toda gratuita, não é tão ampla assim. "Problema de custos", diz Kobayashi, que mandou imprimir 3,5 mil exemplares.
Os principais destinatários do calendários são órgãos de governo, juízes, deputados, além de secretarias, empresas e fundações, universidades, ministérios, corpo consular, órgãos de imprensa, associações de classe, ONGs, imprensas oficiais de língua portuguesa e espanhola e, pela primeira vez, clientes.


