Mãos que falam e contam histórias
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de junho de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Para que palavras se as mãos dão conta de dizer tudo ? Mas, se elas não conseguirem, o resto do corpo ajuda no espetáculo ''Manologias'', com a companhia La Santa Rodilla, do Peru, hoje e amanhã, no Filo. (Veja programação nesta página).
Uma palavra pode reunir muita poesia, mas as mãos são capazes de juntar toda a poética do mundo. Foram elas que reuniram o elenco de atores do Peru, Itália e Espanha no espetáculo ''Manologias''. ''Por ser uma montagem sem palavras podemos nos apresentar em todo o mundo'', afirma o ator italiano Renato Curci.
O grupo, que se apresentou no Festival Internacional de Teatro de Bonecos, de Belo Horizonte (MG), traz ao Filo a técnica de títere corporal, desenvolvida por Hugo Soares e sua esposa, Inés, com quem dirige a companhia Teatro Hugo & Inés.
O principal suporte da técnica é o corpo dos atores, que em ''Manologias'' são dirigidos por Soares.
Para ajudar as mãos a contar histórias, o elenco ainda recorre à pantomima, figuras e o próprio trabalho de atores num processo de nove meses de pesquisa e ensaios.
Em 50 minutos de duração, o público assistirá 16 números. O absurdo, o cotidiano, o cômico e a poesia passam das mãos do elenco para espectadores de todas as idades.
''As mãos não falam, mas encontram os personagens no trabalho de pesquisa. Depois construímos a história e contamos ao público'', ressalta o argentino Roberto White.
Quando as mãos dos atores não dão conta de traduzir os drama, sonhos e frustrações humanas, os joelhos, a cabeça ou objetos como bolinhas de pingue-pongue, balões, flores, sapatos ou tecidos, entram em ação.
''Com um pouco de coerência usamos tudo o que pode servir para dar alegria ao público'', completa Curci.


