Com seis anos, Alisson Vieira da Silva já está aprendendo como cultivar uma horta e a comer verduras e legumes. ''Gosto de alface, almeirão e beterraba e tenho uma pequena horta na minha casa'', afirma ele, com convicção. Junto com os seus colegas, acha divertida as aulas em que aprende a valorizar o meio ambiente e ''põe a mão na terra''.
Essas aulas fazem parte do projeto ''Mãos na Terra: Plantando educação, colhendo cidadania'', desenvolvido por alunos do curso de agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O objetivo é levar mais conscientização ambiental e noções de uma alimentação mais saudável à comunidade e desde setembro do ano passado vem sendo realizado. Nas aulas, os participantes aprendem sobre a prática de plantio de hortas, controle natural de pragas, a importância da preservação ambiental e das plantas medicinais.
Atualmente, o projeto está sendo executado no Centro de Educação Infantil Santo Antônio, Colégio Aplicação (do campus da UEL) e Centro Ocupacional de Londrina (COL), que atende pessoas com problemas mentais, beneficiando cerca de 160 pessoas, a maioria crianças e adolescentes. O projeto também está sendo ampliado e organiza a recuperação de fundo de vale do Conjunto Parigot de Souza III (região norte), em parceria com a Escola Estadual José Carlos Pinotti.
Segundo a coordenadora do projeto, a professora Cristiane de Conti Medina, a idéia do projeto partiu dos próprios alunos de agronomia que sentiram a necessidade de trocar com a comunidade os conhecimentos adquiridos no curso. ''Eles se questionaram quanto à responsabilidade social do agrônomo e viram que através do projeto poderia haver a troca entre o conhecimento acadêmico e popular, que gera a melhoria da qualidade de vida da comunidade'', explicou.
Para a aluna do 4º ano de agronomia, Kelen Regina P.Bibanco, o projeto está sendo a oportunidade de conhecer diferentes realidades e contribuir para consciência ambiental das crianças. ''Elas são muito curiosas e respondem rápido às atividades. Cada vez ficam mais conscientes da importância de preservar o ambiente e isso é bom, porque são elas que vão ter que cuidar no futuro'', afirmou. Entre as atividades que ensina para as crianças está a montagem de uma horta suspensa feita com garrafa PET. A garrafa é cortada ao meio, onde são colocadas terra e sementes de condimentos, como salsinha e cebolinha. Depois de pronta, fios de barbantes nas laterais permitem a sustentação da ''mini-horta'' e as crianças podem levá-la para casa.
O projeto também busca capacitar um monitor em cada escola para se responsabilizar pela manutenção dos canteiros da horta, dando um caráter de autonomia para o trabalho. No Centro de Educação Infantil Santo Antônio, que fica ao lado do Asilo São Vicente de Paulo, o projeto pretende treinar os idosos para serem os monitores da horta das crianças, proporcionando também um intercâmbio de gerações.
No Centro Ocupacional de Londrina (COL), onde o trabalho é mais terapêutico, está sendo estudada a possibilidade da produção de mudas ornamentais como fonte de renda para os participantes. ''Dessa forma, estamos ampliando o conceito de cidadania e resgatando o direito dessas pessoas se sentirem produtivas e terem a própria remuneração'', destacou Cristiane.

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