Seu verdadeiro nome é Vitoriano Veloso, homenagem ao único inconfidente mulato nascido no lugarejo. Porém, a pequena e pitoresca vila, distante apenas sete quilômetros do centro de Tiradentes, ficou famosa como Bichinho. Dizem que é pela grande quantidade de animais, como pacas e macacos, que foram encontrados lá na época de sua fundação, em 1698.
A simpatia do nome da vila mineira também está estampada no sorriso tímido de seus moradores, ou melhor, de seus artesãos. Sim, porque lá não há quem não saiba fazer algum tipo de trabalho manual.
Há de tudo um pouco. Bordados, almofadas e colchas de fuxico, cerâmica, peças em latas, móveis rústicos e as famosas bonecas de madeira e papel machê, que mais parecem comadres fofocando nas janelas das coloridas casas, espalhadas ao longo dos três quilômetros de estrada de terra que corta o arraial.
Calçamento ali? Só no quarteirão na frente da Igreja Nossa Senhora da Penha, datada da metade do século 18.
Em Bichinho é preciso reservar pelo menos uma tarde para visitar as ''lojinhas-casas-ateliês'', com maior variedade de objetos que em Tiradentes e preço muitas vezes mais em conta. Na vila distrito da cidade de Prados o ofício, ou dom, passa de geração para geração. É assim no ateliê do Naninho, que trabalha com arte sacra e esculturas de madeira, e na casa de Lécio Moreira de Carvalho, antigo pedreiro, há cinco anos fazendo bonecas de madeira. Hoje, ele vende até para o exterior. ''Meu filho e minha irmã me ajudam na produção.''
Dona Carmem, outra moradora, não precisa nem colocar placa na frente da casa para vender seus trabalhos em fuxico e bordado. ''Botei toda minha família para trabalhar, e o negócio anda tão bem que até meu marido largou o emprego para me ajudar'', conta ela, que sempre atende os clientes com um sorriso maroto e fiapos de pano pela roupa. ''Trabalhamos o dia inteiro'', justifica-se.
Vale a pena conferir a lojinha de dona Carmem, no fundo da sua casa, próxima da igreja. Além das coloridas capas de almofada de fuxicos, há colchas de retalhos e simpáticos jogos americanos com galinhas-d'angola bordadas.
Os móveis de madeira e ferro da Casa da Lata e os castiçais da Oficina de Bajeco também já são famosos por lá. Mas a parada obrigatória é, sem dúvida, a Oficina de Agosto, com 76 artesãos. De segunda a sexta, 36 moradores da vila trabalham sem parar. O restante são 40 escultores terceirizados. Eles produzem pequenas peças em casa.
É mais interessante ir até o local durante a semana, quando se pode acompanhar a montagem dos quadros, molduras de espelhos, peças em cerâmica, luminárias, armários.
''Trabalhamos em conjunto. Cada um se especializa numa parte ou num detalhe das peças'', explica Maria Geralda de Paula, a Lili, coordenadora do grupo. Criada pelo artista plástico paulista Antônio Carlos Bech, conhecido como Toti, a Oficina de Agosto, que se instalou em Bichinho há oito anos, ficou famosa País afora e hoje tem até uma loja na Vila Madalena, em São Paulo.

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