No princípio, era apenas um livro que trazia receitas diversas. A primeira tentativa - frustrante - de publicá-lo aconteceu em 89, mas a editora alegou que o produto não se encaixava em seu perfil editorial. Mas vendo alguns amigos passando por crises culinárias, Alessandra resolveu ampliar a versão original e transformá-lo numa espécie de guia para marinheiros de primeira viagem e outros nem tanto. ‘‘Fiquei dez anos burilando esse livro’’ - recorda-se. ‘‘Comecei a escrevê-lo numa época em que essa coisa de gastronomia não estava tão em voga porque até então comida era comida e pronto; não tinha essa aura glamourosa’’- completa.
Para a escritora, a cozinha é, sim, um território masculino. Como conta no livro, as melhores comidas que já provou quando em criança era feitas por homens - tios e amigos da família. Ainda de acordo com seu raciocínio, essa história de dom ou vocação é pura balela. ‘‘Acho que tem que gostar de comer e ponto. Não precisa ser um aficionado por cozinha’’ - diz.
Ah, sim, o grande segredo está em não desistir mesmo que forças ocultas o peçam para renunciar à cozinha. ‘‘Guia para Sobrevivência...’’, conforme explica Alessandra, apesar do título, pode ser lido inclusive por mulheres que não nasceram com habilidades culinárias. ‘‘Eu vejo o ‘Guia’ como o primeiro livro sobre cozinha. Até então os escritores não se preocupavam com os leigos e eu pude sentir isso na pele. Li certa vez um livro que dizia: ‘faça um refogado’ e eu nem sabia o que era um refogado’’ - lembra-se. (A.M.J.)

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