MANSON VOLTA A ATACAR
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de dezembro de 2000
Nelson Sato De Londrina 
Na capa do CD, Marilyn Manson aparece crucificado. Foi o que bastou para cutucar a liga católica norte-americana, que saiu às ruas para promover uma campanha de boicote aos discos do artista especialmente no Natal, caso alguém seja presenteado com um exemplar.
Manson é o capeta. Não é a primeira e, provavelmente, nem será última vez que ele levanta controvérsias com suas atitudes. Já foi acusado até de ter incitado, com suas músicas, a matança de crianças em Colorado no ano passado. O novo álbum, Holy Wood / In the Shadow of the Valley of Death (Universal), tenta responder aos inquisidores tagarelando sobre fama, mídia e Hollywood.
Musicalmente, o disco mantém a sonoridade que lhe garantiu reputação como um dos expoentes do novo metal, abrigando guitarras pesadas e vocais sufocantes. Mas sem os refrões colantes de Antichrist Superstar (97) e Mechanical Animals (98), o repertório soa desgastado em algumas faixas, ainda que a morbidez e os climas góticos ganhem pulso com riffs, efeitos e loops eletrônicos certeiros na maioria dos arranjos.
Uma fórmula é imbatível: Manson, quase sempre, alterna trechos de andamento lento (de instrumental baixo e voz colocada à frente) com passagens agressivas e vocais distorcidos. Disposable Teens, o primeiro single extraído do álbum, segue a linha. A MTV programou a estréia do clipe para o meio-dia da próxima segunda-feira.
Os destaques do disco, contudo, ficam por conta de The Fight Song e The Nobodies. A banda, como seu líder, combina nomes de sex symbols com o de psicopatas famosos. Nesta nova trip sombria, Manson (cujo nome verdadeiro é Brian Warner) tem a companhia de John S (guitarra), Twiggy Ramirez (baixo), Madonna Wayne Gracy (teclados) e Ginger Fish (este fraturou a clavícula no mês passado ao pular sobre a bateria no final de um show em Nova York).
Tudo neles, têm a intenção de chocar. A exemplo das turnês anteriores, a atual também vem colecionando cancelamentos e proibições. Logo, receberemos notícias sobre passeatas religiosas de cristãos conservadores. Manson capitaliza os escândalos. Já ateou fogo em palcos, adorou Satã ao vivo e assustou a América pela TV com tagarelices que lhe renderam o estigma de herege.
Mais do que um agente do Mal, é um eficiente marqueteiro. Depois do disco, ele vai publicar um livro. O lançamento está previsto para o começo do ano que vem.


