Mansão vira santuário para os fãs
Passaram-se os anos, a moda mudou, e os fãs envelheceram. Mas a fazenda do fim da década de 30, comprada por Elvis Presley em 1957, continua intacta. A Graceland Mansion foi muito mais que uma casa para o rei do rock-n'-roll. Foi a prova de que ele havia alcançado o sucesso. Foi seu refúgio, o esconderijo contra o assédio da imprensa e de seus admiradores. Foi seu túmulo. E acabou virando uma espécie de santuário que atrai cerca de 600 mil visitantes por ano.
O chamariz ali, no entanto, não se resume à mansão, localizada numa área de cerca de 5,6 hectares, onde fica o jardim e um vasto gramado, perfeito para abrigar os tão adorados cavalos de Elvis (ele teve mais de duas dúzias). Hoje, o nome Graceland se estende para todo um complexo quase um bairro , montado ao longo da Elvis Presley Boulevard, a 15 quilômetros do centro de Memphis, no Estado do Tennessee (EUA). E é levado tão a sério que a Elvis Presley Enterprises faz questão de enfatizar que todas as marcas relacionadas ao cantor são registradas.
De um lado da avenida ficam o casarão, o Elvis Presley Automobile Museum (museu com os carros do cantor), o Elvis' Custom Jets (o avião da família Presley) e o Sincerely Elvis (outro museu, com objetos pessoais do astro). Do outro, está o Graceland Plaza, um aglomerado de lojinhas e restaurantes para a alegria dos turistas, que enchem as bolsas de souvenires. É lá que fica a bilheteria. Paga-se US$ 25 (adultos) pelo passeio completo.
Para começar a visita, pega-se um pequeno ônibus rumo à mansão, aberta ao público em 1982, cinco anos após a morte do cantor (em 16 de agosto de 1977). Dizem os fãs que o coração fica um pouco mais acelerado quando o veículo passa o portão de entrada que imita uma partitura. As colunas brancas, típicas das grandes casas do Sul norte-americano, ''protegem'' a porta de um mundo, no mínimo, curioso.
Dentro da Graceland Mansion respira-se um Elvis jovem. Não há lugar para a imagem do astro gordo e decadente, que muitos fizeram questão de esquecer.
A presença do cantor está em cada canto: desde a coleção de discos da Sala dos Troféus até os montes de ursinhos de pelúcia presente, aliás, que ele mais ganhou depois de gravar (Let Me Be Your) ''Teddy Bear''. E, como comentam os próprios fãs, é preciso não se chocar com a decoração, de um gosto um tanto cafona, mas que, segundo eles, é puro Elvis em cada detalhe. Nos tetos espelhados ou acarpetados, nos querubins de gesso, nas cortinas vermelhas, no excesso de dourado, de mármore e de tevês. Basta reparar nas roupas do cantor para perceber: ele sempre gostou de cores chamativas e de brilho.
O segundo andar da casa está fechado para turistas. Ali ficam os quartos e o escritório de Elvis, conservados como no dia de sua morte. Mesmo assim, há muito para ver e para aprender sobre o ídolo. Um aparelho de áudio oferecido em vários idiomas, inclusive português, e que tem a filha de Elvis, Lisa Marie, como narradora conta histórias enquanto os visitantes conhecem a cozinha e os demais cômodos. Na sala de jantar, a mesa está posta como se ainda o rei do rock-n'-roll morasse ali.
Após se impressionar com o imenso piano da sala de música, onde Elvis passava horas ensaiando, o choque é ainda maior na sala de tevê. Para chegar ali, passa-se por uma escadaria cheia de espelhos. As imagens das três televisões, a que o astro gostava de assistir em três canais diferentes ao mesmo tempo, se multiplicavam nas paredes e no teto também espelhados. Coisas de famosos.
Próxima parada: a sala de sinuca. Dizem as más-línguas que foi nela que Elvis deixou uma de suas namoradas aleijada depois de golpeá-la com um taco de bilhar. Uma história que nunca ninguém registrou na polícia.
Ao lado desta, fica o ambiente mais bizarro da casa. No Jungle Room (Quarto da Selva), um carpete verde cobre as paredes e até mesmo o teto. Os móveis e objetos são todos inspirados em países exóticos. Era ali que ele gostava de tomar café da manhã, lá pelas 14h.
Atrás da casa, pode-se ter uma noção mais clara do tamanho do sucesso ao olhar as paredes de um quarto repletas de discos de ouro e platina, além dos troféus de melhor cantor, placas de agradecimentos, cartas de presidentes e de fãs, roupas usadas nos concertos, fotos dos filmes. Enfim, uma infinidade de prêmios e presentes.
Depois de uma hora e meia perambulando pelo mundo de Elvis, chega-se ao tão esperado Meditation Garden (Jardim da Meditação). ''A última parada é também a mais emotiva'', diz Waldenir Cecon, presidente do Elvis Presley's World Fan Club, que, apesar do nome, reúne admiradores brasileiros.
No jardim, está enterrado o corpo do cantor, ao lado dos pais. Por cima das lápides, há flores e outras lembranças deixadas por visitantes. Nessa hora, o clima de excitação e curiosidade dá lugar a uma atmosfera silenciosa e um tanto nostálgica. Quietos e pensativos, os turistas entram no ônibus que os levará de volta para o mundo real. A única animação vem dos fiéis alto-falantes que não se cansam de ecoar a voz do rei.





