Fugindo do fotojornalismo, existe uma outra forma de se encarar a relação entre as novas tecnologias digitais e a fotografia. Para o antropólogo e professor da Unicamp Etienne Samain, estudioso das relações entre a fotografia e a antropologia, a tecnologia tem contribuído para mudar a nossa maneira de enxergar a fotografia, e deve mudar nossa relação com essa imagem de agora em diante. Samain também esteve na cidade na semana passada para a aula inaugural do mestrado em Comunicação Visual da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
''Antes, pensava-se que a foto se resumia a ser muito fiel ou retratar a realidade, que, aliás, está em movimento perpétuo. Então ela era apenas um suporte comunicacional de alta fidelidade. Com a manipulação, agora a fotografia está mais próxima da arte'', define o professor. Embora reconheça que é possível usar a foto digital com o intuito de enganar, Samain acredita que o bom uso dessa tecnologia deve permitir vários avanços. ''Já que a gente sabe que a foto é mais que um documento, isso pode ajudar daqui pra frente a desvendar o que não é visível'', sugere.
O professor cita como exemplo um aluno que fez fotos de um grupo de espíritas rezando para um doente no hospital. Após fazer as fotos, ele conversou com cada uma dessas pessoas, perguntando o que se passou em suas mentes durante as orações. E, depois, inseriu digitalmente esses elementos na foto. ''É uma manipulação, mas que torna visível o que antes era totalmente invisível'', sustenta, acrescentando que, dessa forma, a foto pode contribuir muito mais como registro antropológico. ''A fotografia pode auxiliar a revelar esses elementos invisíveis e enriquecer o discurso antropológico'', sustenta. (A.I.)

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