Houve um tempo em que meninos jogavam futebol e meninas dançavam balé. Nessa época, informática era coisa do futuro, presente apenas nos filmes de ficção científica. Diferente das gerações anteriores, a maioria das crianças e adolescentes do século 21 ganhou liberdade e apoio dos pais para tomar suas decisões. O resultado foi uma mudança radical de comportamento.
Eles, antes dos dez anos, já pintam seus cabelos e usam brincos. Elas trocaram as bonecas pelo futebol e pela capoeira. As escolas e o mercado precisam correr atrás dos alunos, para se adaptar às novas exigências.
Mauro FrassonRoberta Bonilauri jogava futebol com os meninos até que a escola decidiu montar times femininosA diretora de um dos núcleos do Colégio Expoente, em Curitiba, Maria Luíza Pick, afirma que os pais dão mais liberdade, pensando apenas na felicidade dos filhos. ‘‘Hoje, eles raspam ou pintam os cabelos, usam brincos e fazem tatuagens’’, conta.
Em sua opinião, os dois sexos cada vez convivem melhor e se respeitam mais. ‘‘Antes não tínhamos meninos nos cursos de teatro e dança. Em compensação, hoje temos uma ótima equipe feminina de futebol’’, explica.
Por esses motivos, o colégio precisa estar sempre se adaptando para abrir e fechar novas modalidades de esporte. ‘‘Há seis anos, por exemplo, não temos mais balé clássico’’, explica a diretora. Ela confirma que as meninas se interessam mais pela prática da capoeira e pelas danças modernas.
Jakson Mendes/DivulgaçãoTharsius Roberto Laus decidiu desenvolver o talento artístico tendo aulas de teatro e sapateadoO empresário Sérgio Daitschman, sócio das grifes K.A.S e Class, também sentiu de perto as mudanças de comportamento ocorridas entre adolescentes. A Class, criada há sete anos para atender às adeptas do balé clássico, está prestes a fechar as portas. ‘‘Não há mais público, as meninas hoje querem saber mais de capoeira do que de bal钒, explica.
Outro avanço exigido aos colégios é em relação à informática, que já faz parte do dia-a-dia das salas de aula. Além do uso de softwares com programas educacionais, os alunos têm acesso diário à Internet, usada como fonte de pesquisa e biblioteca. Além disso, há dois anos, os adolescentes desenvolvem projetos de robótica, o que permite construírem maquetes funcionais, controladas pelos computadores.
Mauro FrassonJuliano Maier, 14 anos, desistiu do grupo de teatro e do cabelo colorido por pressão dos paisEducadora há 15 anos, Maria Luíza acha que um dos grandes responsáveis pela mudança de comportamento é o fácil acesso à Internet. ‘‘Os adolescentes estão se tornando mais questionadores e críticos, procurando mais respostas e comparando as coisas. Além disso, ela acha que o referencial dos pais é muito importante. ‘‘Hoje, pai e mãe trabalham fora e ambos precisam aprender inglês e informática’’, diz.
A busca de igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho, também teria incentivado os adolescentes a falarem de igual para igual entre eles. ‘‘As meninas, por exemplo, tiveram a liberdade de optar pelo futebol e os meninos as respeitam’’, resume. Ela acha que a atual geração não perdeu nada em relação às anteriores, mas ganhou muitas novas opções.As meninas trocaram as sapatilhas pelas chuteiras. Os meninos estão pintando os cabelos de todas as cores. Afinal, o que está acontecendo com a garotada?
Leandro TaquesBernardo Mocelin de Almeida, 11 anos, já pintou o cabelo de roxo, vermelho e azul em apenas três mesesSimone Mattos

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