MANGAMANIA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de maio de 2001
Nelson Sato De Londrina 
O mangá virou mania no Brasil. Depois do sucesso de Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco, uma enxurrada de gibis japoneses ameaça inundar as bancas ao longo da temporada.
As editoras despertaram para o gênero e estão correndo atrás do licenciamento dos títulos mais baladados no exterior. A JBC sai na frente com o lançamento simultâneo esta semana dos mangás Samurai X e Sakura Card Captors, aos quais se seguirão Video Girl Ai e Guerreiras Mágicas de Rayearth.
A Conrad engatilha a tradução do mangá Preto e Branco (de Taiyo Matsumoto), enquanto que a Pandora Books anuncia o Gen 13 e a Animangá negocia o lançamento de Fushigi Yuugi (de Yuu Watase). A febre é tanta que já tem gente especulando sobre o fim da hegemonia dos super-heróis americanos na preferência da garotada.
No Japão, mais de 1 bilhão de revistas são consumidas por ano. Por aqui, a invasão foi alavancada pelos animes, os desenhos animados nipônicos, responsáveis por alguns dos maiores índices de audiência dos programas infantis da TV, a ponto de alguns caso de Pokémon, Digimon e Dragon Ball Z ofuscarem a presença das loiras-apresentadoras.
O estouro dos animes ajudou a formar o público para a leitura dos mangás. Os outros motivos foram o desgate dos personagens da Marvel e da CD Comics e as mudanças promovidas pela editora Abril abolindo o formatinho e lançando as revistas Premium a R$ 9,90 cada uma. Foi, enfim, toda uma conjunção de fatores que contribuiu para a infiltração dos japinhas de olhos grandes no mercado nacional de quadrinhos.
Não foi da noite para o dia, porém, que eles apareceram por aqui. Ao longo das décadas de 80 e 90, houve tentativas de explorar o filão com Akira, O Lobo Solitário, Crying Freeman, A Lenda de Kamui, Cobra, Baoh, Harobi e Mai (A Garota Sensitiva). Mas nenhum deles emplacou. A nova fase começou com Ranma 1/2 seguida das versões mangá de Pokémon, Gen Pés Descalços, X-Men, Homem-Aranha, Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco.
Investindo no gênero, a JBC assinou acordo com a Shueisha e com a Kodansha, duas das maiores editoras japonesas. Seus lançamentos obedecerão as características do formato oriental original, com leitura da direita para a esquerda, ou seja, detrás para frente. Os quadrinhos e os balões também seguem a mesma regra.
A própria capa do número inaugural de Samurai X traz uma ilustração na horizontal, como foi publicado na matriz, contrariando a norma brasileira de ilustrações na vertical. Os textos estarão todos em português, mas sempre que houver onomatopéias será mantido o original em hiragana e katakana (alfabetos do Japão).
Dessa primeira fornada da JBC, os heróis de Samurai X, Sakura Card Captors e Guerreiras Mágicas de Rayearth já são bem conhecidos no Brasil pelo fato de terem seus animes exibidos na TV. Aliás, no processo de adaptação de idiomas, os tradutores se basearam nos desenhos para poder usar exatamente os mesmos termos já apresentados na versão animada, desde que não alterassem os diálogos originais.
Samurai X, criado por Nobohiro Watsuki, traz a saga de Kenshin Himura, também conhecido como Battousai, o Retalhador. A história é ambientada durante a transição japonesa do regime de Shogunato para Império. Na época, uma guerra civil explodiu no arquipélago, e Kenshin foi responsável pela morte de centenas de pessoas.
Com o fim do conflito, ele se tornou um andarilho e passou a rejeitar a violência. Como prova de sua conversão, usa uma espada com a lâmina invertida, incapaz de ferir alguém mortalmente. Anos depois, quando chega a Edo (atual Tóquio), depara-se com inúmeros situações que o obrigam a duelar e combater as injustiças sociais tendo como aliados Kaoru e Sanosuke (o herói que tem um X talhado no rosto).
O sucesso do mangá levou Samurai X para a TV, onde ganhou sua versão animada, um longa-metragem e uma minissérie lançada diretamente em vídeo de quatro episódios. Sakura Card Claptors, o outro lançamento, narra as aventuras da menina Sakura Kinomoto em busca de cartas colecionáveis.
Não uma coleção de cartas qualquer, mas uma com poderes mágicos, capaz de destruir a Terra se não for recuperada. Para cumprir a missão, ela conta com a ajuda dos amigos Tomoyo e Shyaoran e também com Kerberos, o guardião de um misterioso livro que mantinha as cartas entre suas páginas. Se for bem sucedida na empreitada, poderá desenvolver seus poderes e se tornar a grande Mestre das Cartas Clow.
Sakura já foi definida como uma espécie de Pokémon para meninas. Assim como Ash caça e treina criaturas, a heroína vai atrás de cartas. Ela é uma colecionadora. E para conseguir novas cartas surgem as batalhas e a escolha do Card certo é que determina quem será o vencedor.
A personagem foi o maior sucesso comercial dos estúdio Clamp, totalizando 12 volumes de mangás, 70 episódios da versão animada para a TV, além de dois longas para cinema. Seu anime é exibido pelo Cartoon Network (segunda a sexta, às 16h30) e breve deve estrear na Globo. Samurai X e Sakura Card Captors têm capas coloridas, miolo preto-e-branco e estão à venda a R$ 2,90.


