Manaus é ponto de partidade do roteiro
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domingo, 01 de março de 1998
Márcia Modesto Agência Estado 
ReproduçãoExplorando a florestaTuristas passeiam de barco pelo rio: mergulho na paisagem tropicalO turista que pretende conhecer a Amazônia deverá preparar o espírito para uma aventura inesquecível na maior floresta tropical do mundo. Rios cercados por mata densa e animais desconfiados como os jacarés estão lá à espera dos que respeitam a natureza e não querem virar o milênio sem conhecer a maior reserva biológica do planeta.
Manaus é o ponto de partida dessa excitante viagem. A poucas horas do centro da cidade pode-se ter um contato mais íntimo com a natureza hospedando-se nos hotéis de selva, recentemente descobertos pelos estrangeiros que se encantam com esses pequenos alojamentos espalhados ao longo dos rios amazônicos. Enquanto ainda são novidades entre os brasileiros, essas rústicas instalações fascinam gente que vem da Europa, Estados Unidos e Ásia.
Bem diferente do ritmo frenético das cidades, a vida nos rios corre lentamente, embalada pelo bailado das gaivotas. O mergulho nessa paisagem começa, invariavelmente, com os passeios nos popopôs ou motores, pequenos barcos que cruzam dia e noite os rios com seu ronco característico.
É num desses barcos que o turista parte para o seu encontro com a natureza. No período das chuvas (de novembro a fevereiro), os rios sobem até dez metros, por isso, o melhor é cortar caminho por cima de trechos alagados de floresta. Quando o volume dágua baixa, segue-se o curso sinuoso dos igarapés, pequenos canais de planície. Uma das atrações da viagem são os troncos e as grandes raízes de árvores, expostas às margens dos rios formando exóticas esculturas naturais.
ReproduçãoAs águas amareladas do Solimões e as escuras do Negro, mesmo lado a lado, teimam em não se misturar.Um bom roteiro deve incluir o ponto onde os rios Solimões e o Negro se encontram. As águas amareladas do Solimões e as escuras do Negro protagonizam um dos espetáculos mais fascinantes da geografia amazônica: mesmo lado a lado, as águas dos dois rios teimam em não se misturar. Os pesquisadores explicam o fenômeno, causado pela velocidade da correnteza e a diferença de temperatura e densidade.
Para quem quiser hospedar-se num hotel de selva, uma boa opção é o Village, formado por chalés em uma pequena inclinação. Com capacidade para hospedar 64 pessoas, o hotel conta com sala de estar, restaurante, bar, recepção e uma grande varanda central coberta por folhas de palmeira. Não adianta levar aparelhos elétricos para lá. O hotel não possui eletricidade, e a única forma de se obter energia é um pequeno gerador de baixa capacidade. Mas, cada hóspede recebe uma lanterna para poder encontrar o caminho do chalé à noite.
Em compensação, uma caminhada bem monitorada pela mata reserva muitas emoções, como encontrar enormes cipós - iguais aos que Tarzan usava em suas aventuras - e ouvir uma verdadeira orquestra sinfônica de pássaros. O forte calor da região pode convidar ainda a um prazeroso banho nas águas frias dos inúmeros igarapés, que com certeza, o turista irá encontrar ao longo do percurso.
Um passeio de canoa por esses pequenos cursos dágua faz lembrar as viagens exploratórias dos antigos desbravadores. Impossível não se emocionar diante da mata densa ouvindo o ruído dos animais num cenário onde apenas poucos raios de sol conseguem entrar. É nesse cenário mágico, cercado de água e árvores, que o visitante se sente como se estivesse voltando a um tempo distante.
Perdido na imensidão do Amazonas, o turista pode sentir um pouco da solidão da população ribeirinha. Das pequenas palafitas espalhadas nas margens do rio, o caboclo amazônico testemunha o ir e vir dos barcos transportando os moradores da região. Apesar da imensidão do território, o homem caboclo conhece muito bem os sinais da natureza e raramente se perde nos inúmeros caminhos da floresta. Por isso, muitos se tornam guias indispensáveis. É também nas viagens de barco que o turista se encanta com as aparições inesperadas dos botos, mamíferos que só habitam os rios da região.


