Malvada possessiva
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sexta-feira, 16 de maio de 2014
Alex Francisco<br>Folhapress 
São Paulo - Queimar as roupas do ex-marido e armar uma situação de assédio para que ele perca o emprego são algumas das loucuras que a possessiva Branca (Angela Vieira) cometeu na novela "Em Família" (Globo). Obcecada por Ricardo (Herson Capri), ela ainda deve investir pesado para separá-lo de Chica (Natália do Vale). "Isso que ela sente não é mais amor. Ela tem o comportamento de uma pessoa doente, mimada e acostumada a ter ou comprar o que quer", analisa a atriz.
Nos próximos capítulos, a perua deverá engolir a própria raiva ao saber que o pedido de divórcio do marido foi homologado e que ele está livre dela. "A Branca é daquelas que se apropriam da vida das pessoas. E essa separação é inaceitável para ela, por isso vai armar mais. Ela promete para si mesma que aquele homem vai voltar para a casa dela", conta Angela.
Em casa, Branca vai sentir na pele a rejeição da filha, Giselle (Agatha Moreira), que defenderá o pai e sua nova mulher. "A Giselle sabe a mãe que tem, mas esse tipo de atitude é uma grande decepção para ela, que vai apoiar o pai, claro", comenta Agatha.
Segundo Angela, é por causa desse plano de vingança contra o ex-marido que Branca e Giselle ficarão cada vez mais distantes. "Elas já não têm uma boa relação, e isso piora. Quando estão juntas, o assunto é sempre o pai ou o que a mãe fez para prejudicar o pai. Esse desentendimento entre mãe e filha é muito comum", fala Angela.
Agatha, que comemora o fato de estrear em novelas ao lado da veterana Angela Vieira, torce para que Giselle ajude a mãe a ser menos amarga.
Mas a perua está longe de deixar o marido em paz e abandonar o comportamento vingativo. Para o psicanalista Alberto Goldin, que escreve no blog "Em Família no Divã", no site da novela, a personagem tem, sim, uma doença. "Não vai mudar em nada ela destruir a nova relação do marido. E não é normal que ela arme um plano para destruí-lo. Nesse caso, a pessoa tem que perceber, racionalmente, que a infelicidade do outro, a agressão e o ódio não vão resolver o problema."
Convidada pelo diretor Jayme Monjardim para viver Branca, Angela revela que temia a reação do público diante das armações de sua personagem. "Achei que ela seria rejeitada por ser grosseira, mas algumas pessoas dizem que apoiam as atitudes dela. Fico impressionada", comenta. "Ela fala o que quer e faz coisas patéticas. Estou me divertindo fazendo essa mulher que é um misto de drama e loucura", complementa a atriz.
É a segunda vez que Angela faz uma novela de Manoel Carlos. A primeira foi "Por Amor" (Globo), em que interpretou Virgínia. A personagem sofria com o fato de o marido tê-la trocado por um homem. "Sempre me identifiquei com o universo do Maneco e com o ritmo de cotidiano que ele escreve com maestria. É um autor generoso."
Em forma aos 62 anos e com um currículo cheio de personagens sensuais e glamorosas, Angela revela que tem vontade de interpretar tipos mais simples. "Sempre achei que eu deveria fazer mulheres mais sofredoras, do campo, da periferia. Sempre fiz aquela de poder aquisitivo maior, aquela que sempre saía bem nas fotos. Mas eu gostaria de brincar e fazer pessoas mais simples, uma mulher sem muita vaidade, como foi a Lindaura", diz, referindo-se ao seu papel em "Flor do Caribe" (Globo, 2013).


