A musa inspiradora dos aspirantes ao sucesso e de cantores de chuveiro, a inglesa Susan Boyle, o patinho feio que da noite para o dia desencantou e virou um fenômeno musical, também está estimulando muita gente a investir em aprender a soltar a voz com técnica.
As versões brasileiras de realities shows, como o que transformou Boyle num personagem de conto de fadas, têm dado uma força para que cantores eventuais acreditem que tudo pode ter conserto nesta vida, inclusive os desafinados que têm certeza que nasceram para Pavarottis.
A fé no poder dos vocalises, os exercícios vocais, também está atraindo cantores profissionais às aulas de canto. Principalmente os sertanejos, hoje mais próximos do pop e distantes do jeito Zezé di Camargo de cantar, que inspirou uma geração de artistas do gênero.
Márcio & Cristiane cantam há 17 anos. Os irmãos londrinenses já foram crooners de banda de baile e chegavam a cantar 5 horas seguidas, o que pode causar prejuízos vocais. Com a formação da dupla, os dois decidiram investir em aulas de canto.
''Eu estava tendo um pouco de rouquidão, cansaço vocal. Com quatro meses de aula de canto, já percebi um conforto maior para cantar. Antes das aulas a gente não tinha técnica de respiração e passamos a ter orientação correta'', afirma Márcio.
Paulo Santos, regente do coral Laugi, de Brasília, e que participou recentemente do Festival Unicanto, confirma que os realities shows ajudaram a desmistificar que cantar exige somente talento, mas também trabalho.
O regente aponta que, além dos sertanejos, os cantores do gênero religioso descobriram que as aulas de canto fazem milagres.
Aula de canto é quase uma profissão de fé para os que querem se tornar profissionais do canto e não deve ser abandonada.
Em oito anos dos 17 de Grupo Chorus, Miriam Hosokawa faz aula com a mesma professora, Walkyria Ferraz. Bruno Barbosa, que há dois anos também faz parte do elenco vai na mesma partitura.
''Quando comecei a cantar, eu tensionava a mão e projetava o corpo para a frente e com as aulas melhorei até a postura'', conta Bruno.
Miriam lembra que antes dos exercícios vocais acreditava que cantar só exigia do diafragma e passou a entender que todo o corpo é exigido no canto.
Com mais de 30 anos de experiência no ensino musical, Walkyria Ferraz explica que o ideal é começar as aulas aos 17 anos, quando a laringe já está formada, mas que, atualmente, muitos começam cedo e o recomendável é buscar a ajuda de um profissional especializado.
''Os que cantam sem técnica acabam tendo alguns vícios. As aulas exigem uma mudança completa de atitude'', afirma Walkyria.

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