A teledramaturgia está viciada em abordagens sociais. Temas como deficiências físicas, doenças terminais e uso de drogas têm se multiplicado nas tramas numa progressão assustadora. As produções parecem usar esse tema como uma espécie de muleta, no qual se apoiam para tentar alavancar a audiência de histórias. Algumas delas mereciam a eutanásia, por carência de criatividade dramatúrgica.
  Este é o caso de ‘‘Malhação ID’’. A produção está totalmente desgastada nesses 15 anos no ar. Diante de uma audiência cada vez mais insatisfatória, a Globo agora tenta reerguer a trama adolescente explorando a atual epidemia do crack entre os jovens.
  Por um lado, há o mérito de alertar para o problema. Mas esta é uma função educativa que deveria caber ao Estado através do Ministério da Saúde e não a uma obra de entretenimento. Por outro, parece que o tema é uma forma de tentar voltar a chamar a atenção dos jovens para a história, não apenas pela questão do crack, mas pela movimentação gerada com a entrada do novo personagem, João, papel de Carlos André Faria.
  Até conseguir tratar do tema, a emissora vetou três versões anteriores da história. Na aprovada, no entanto, o que mais se sobressai é a bem-sucedida atuação de Carlos Faria, um ator seguro que já havia vivido um personagem parecido em ‘‘Força-tarefa’’, na pele de um traficante.
  Além dessa proximidade estética com a realidade de parte dos adolescentes, é nítido que os problemas de ‘‘Malhação ID’’ não se devem à ágil direção de Mario Márcio Bandarra. As alterações já chacoalharam a produção e os ajustes parecem ter sido suficientes para começar a alavancar a audiência, que pulou de média de 18 pontos para 22 pontos no ibope.

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