Antônio Mariano Júnior
Parece praga de parteira: ‘‘Fez sucesso? Há, então, de gravar um disco ao vivo.’’ E foi o que fez a gravadora Universal com Zeca Pagodinho ao constatar que de uns anos para cá ele vem enfileirando hits. Daí que está saindo do forno ‘‘Zeca Pagodinho ao Vivo’’ em que o cantor e compositor registra seus sucessos com direito à zoeira da platéia e tudo o mais. Zeca é gente boa, uma referência do bom samba e até poderia, por que não, gravar um disco nesse formato. Acontece que o seu ‘‘ao vivo’’ chega ao público com a reputação um pouco arranhada - segundo a revista ‘‘Veja’’, algumas faixas foram maquiadas em estúdios. Ou seja, receberam acréscimos de instrumentos aqui ou acolá e mixagem de voz e coral, entre outras ajeitadinhas.
Quem já teve oportunidade de ver Zeca Pagodinho em cores e ao vivo sabe que ele dá conta e bem do recado mesmo que, às vezes, talvez um pouco atordoado sabe-se lá com que, passe a bola para os músicos cantarem. Porém, quando inspirado de fato faz até pernas de cadeira sambarem e criado mudo cantar ao som de seus sucessos. Se é que não houve também a adição de palmas e assovios, o público é o grande barato de ‘‘Zeca Pagodinho ao Vivo’’.
A empatia se estabelece em todas as faixas. A ovação é ampla, geral e irrestrita. A platéia, em uníssono, canta com gosto sucessos como ‘‘Seu Balanc꒒, ‘‘Camarão que Dorme a Onda Leva’’ e, como não poderia faltar, a belíssima ‘‘Verdade’’ diluídas entre as 19 faixas do disco.
‘‘Ao Vivo’’ é uma festa só. Vai vender pra caramba porque quem gosta realmente de Zeca Pagodinho não vai se importar, aliás, não vai ouvir o disco no intuito de adivinhar quais músicas receberam uma arrumadinha providencial. Mesmo porque ficou tão banal essa história de gravação ao vivo que as supostas maquiadas, nessa altura do campeonato, não configuram um pecado mortal.

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