Malabarismo para pagar as contas
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de julho de 2002
Equipe da Folha 
Curitiba Independente da ideologia, todos os teatros particulares de Curitiba buscam conquistar um lugar ao sol. Entende-se por isso, poder oferecer um espaço com uma qualidade técnica primorosa e mais ainda tornar-se auto-sustentável. Lucrar com o trabalho também não seria má idéia, ainda que seja um projeto distante na atual situação. Amauri Ernani, um dos sócios do Teatro Cultura, no Largo da Ordem, admite que é preciso uma verdadeira ginástica para manter as contas em dia.
''Nós trabalhamos por um ideal. A vantagem é que, ao ajudar outras companhias a se desenvolverem, estamos fazendo parte da história cultural da cidade'', diz Ernani. Ele, Andreza Vieira, Paula Giannini e Adriano Fabrício fundaram o espaço há cinco anos. Ernani revela que muitas companhias amadoras começam a se apresentar ali. Agora, o espaço fez uma parceria com a Fundação Cultural de Curitiba e apresenta semanalmente a mostra Malditos em Cena, uma mostra do teatro underground da cidade. A fundação arca com parte da locação do espaço e quando não há parceria, o teatro conta com o dinheiro arrecadado com locação do palco para outras companhias.
Essa ginástica, no entanto, não assusta nem mesmo os mais veteranos. Mauro Zanatta, que há oito anos mantém a Escola do Ator Cômico, uma das mais procuradas da cidade, comemora a conquista de um espaço próprio há pouco menos de um ano. Agora a meta é construir um teatro no local, uma casa localizada no bairro Rebouças. ''A vantagem é que dá para construir do jeito que se quer'', diz, reforçando que quando se tem um espaço particular, o recurso tem que ser gerado, independente da ideologia.
Ignorando riscos, George Sada, da Academia de Artes Cênicas Cena Hum, também inaugura em setembro o Teatro George Sada. O espaço deve absorver os espetáculos da escola, e futuramente ser locado para outras companhias.(K.M.)


