''Cobras Criadas David Nasser e O Cruzeiro'' é o quinto livro do paraense Luiz Maklouf Carvalho. Formado em direito, pela Universidade Federal do Pará, desde 1974 atua como jornalista. Trabalhou em importantes órgãos jornalísticos em Belém (PA) até se transferir para São Paulo, em 1983, quando atuou nos jornais O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e Jornal da Tarde. Atualmente, é repórter especial do Jornal do Brasil, em São Paulo. A Folha 2 conversou, por telefone, com Maklouf. Na entrevista, ele disse ter recebido da caseira de Isabel Nasser um pacote de jornais velhíssimos. ''Aqui tem uma sala cheia'', disse a caseira. Num quarto sujo e sem luz, ele se deparou com farto material que recheou seu trabalho. A seguir, trechos da entrevista com Luiz Maklouf Carvalho.

A viúva Isabel Nasser entregou todo o arquivo pessoal de Nasser sem fazer objeções? Ela já leu o livro?
Sem objeções. E tenho mais de 14 horas de entrevistas. Não tenho referência se ela leu ou não o livro. A editora enviou um exemplar. Mas o livro está sóbrio, a documentação e a história dão o recado.

Será que o jornalismo de hoje se tornou mais ético, por isso figuras como David Nasser dificilmente aparecem?
Melhoramos sobre todos os aspectos, sem prejuízo do que podemos melhorar. E hoje, os mecanismos de controle da mídia e da sociedade são maiores. Se Nasser publicasse hoje as reportagens da primeira fase em que fazia dupla com Manzon, seria repreendido.

Com seu livro, ao evidenciar uma prática de trabalho nada convencional, você faz uma defesa do comportamento ético?
Esse é um livro de reportagem. Conto os fatos e procurei dar um pensamento respeitoso a eles. O leitor é quem decide. Fica claro que Nasser fez um jornalismo de resultado e o tráfico de influência também ficou evidente. Fiz questão de dar um peso na história da revista. Só no contexto da revista O Cruzeiro, podia-se entender o personagem David Nasser.

Se a dupla Nasser e Manzon fosse cobrir hoje o ataque ao Afeganistão qual seria o enfoque?
Acho que não iriam cobrir o ataque, não teriam clima. Ficariam num hotel, longe. Mas certamente seria um relato fantasioso. Afinal, eles eram a notícia.

O que está preparando agora?
A história da imprensa brasileira é pouco conhecida. Esse é o caso do ''Correio da Manhã''. Esse assunto me atrai. Acho importante refletir o passado para entendermos o hoje.

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