A cidade de Castro, a 150 quilômetros de Curitiba, descobriu-se com especial talento para a arte cinematográfica. Depois da realização de ‘‘Os Xeretas’’, em abril deste ano, agora é a vez de ‘‘Sonhos Tropicais’’, produzido pela Cooperativa Cinema e Mídias Digitais, que nasceu com esse trabalho anterior. O produtor Homero Camargo, diretor da empresa, é enfático:
– Não gosto da denominação ‘‘pólo de cinema’’. Prefiro que se chame centro de produção, de cooperativa, onde as pessoas se juntam e as coisas caminham.
A cooperativa está movimentando um montante de R$ 2,8 milhões para a realização do filme, que é um valor muito abaixo do necessário. Mas, nas atuais condições, o diretor achou por bem pelo menos aproveitar o que tem para fazer as filmagens. Depois pensará na finalização.
Os realizadores do longa-metragem não estão sozinhos nesse trabalho. Toda a comunidade castrense está envolvida, como garante Camargo. ‘‘O grande diferencial desta cidade é que a população nos recebeu com enorme carinho. Desde as pessoas mais simples até o governo municipal, através da Secretaria Municipal de Cultura. Há uma corrente positiva, de colaboração’’, conta o produtor.
Essa predisposição da cidade foi marcante na realização de ‘‘Os Xeretas’’ e responsável pelo surgimento da Cooperativa Cinema e Mídias Digitais, cuja sede está instalada no Cine Plaza, um velho cinema erguido em 1958, que há mais de oito anos está inativo. A proposta da empresa é transformar o local num centro de diferentes atividades culturais.
A tela do cinema que deixou de receber imagens na passagem dos anos 80 para os 90, deverá voltar à vida com a pré-estréia mundial de ‘‘Os Xeretas’’, no verão de 2001. ‘‘É um direito da cidade ver antes de todo o mundo’’, considera Homero Camargo.(Z.C.L.)

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