‘‘- Reynolds! Oh! Reynolds!
Foram estas, certamente, as palavras que ecoaram pelos solitários corredores de um hospital da cidade de Baltimore, nos Estados Unidos, na região também conhecida como Nova Inglaterra, durante as amargas e infindáveis horas daquela madrugada de sábado para domingo, dia 7 de outubro de 1849’’.
Com estas linhas tem início a biografia ‘‘Edgar Allan Poe - Nunca Estive Realmente Louco’’, de Ivan Schmidt. O livro editado pela Letras Contemporâneas, estará sendo lançado dia 8 de dezembro, às quatro da tarde, na Livraria Ghignone (da Rua Quinze de Novembro), em Curitiba.
Este é o sétimo livro da coleção ‘‘Pequenas Biografias Insólitas’’, da editora de Florianópolis. Já estão na praça obras sobre Mário Avancini, Mozart, Paracelso e Giordano Bruno, Vesalius, Paré e Harvey, Van Gogh e Júlio Cortázar. Agora chega a vida atormentada do autor de ‘‘O Corvo’’, um homem que se entregou à bebida e às drogas pela incapacidade de suportar a solidão da vida.
O jornalista Ivan Schmidt, ao escrever sobre Edgar Allan Poe, teve a grande oportunidade de colocar no papel sua admiração pelo escritor americano nascido a 19 de janeiro de 1809, filho de dois atores que nessa época trabalhavam num velho teatro de Boston. O primeiro livro de Poe que caiu às mãos de seu biógrafo foi ‘‘Os Crimes da Rua Morgue e Outras Histórias’’, quando morava em São Paulo, no final dos anos 60.
Leitor habitual de romances, certo dia Ivan saiu à procura de algum livro para se distrair. Percorreu os muitos sebos que existiam próximos à Praça da Sé, e foi assim que leu ‘‘Os Crimes da Rua Morgue’’, num fascínio fulminante. ‘‘É um autor que tenho lido e relido nos últimos 30 anos; tenho por Poe profunda admiração’’, afirma Schmidt.
O jornalista conta que aceitou o desafio da biografia não só pela pública paixão ao escritor, como também porque não existe nada em português sobre o escritor. A última é datada de 1945 - ‘‘Israfel’’, de Hervey Allen -, e foi lançada pela extinta Editora Globo, de Porto Alegre.
A série ‘‘Pequenas Biografias Insólitas’’, da Letras Contemporâneas, tem como característica trabalhos sintéticos sobre os personagens enfocados. ‘‘Edgard Allan Poe - Nunca Estive Realmente Louco’’, não chega a 120 páginas. Para o autor é mais interessante este formato que aquelas obras laudatórias, com mais de 500 páginas cada.
Em 1999 completa 150 anos da morte do escritor, um dos maiores da língua americana, considerado por Jorge Luiz Borges o criador do romance policial. Apesar disso jamais foi reconhecido em vida. Aliás, os primeiros e entusiasmados aplausos vieram da França, depois que o poeta Charles Baudelaire apresentou-o aos conterrâneos. ‘‘O nome de Poe passou a ser cultuado com a reverência digna de um gigante, adquirindo fama universal’’, escreve Schmidt na apresentação do livro.
Só então a América iria acordar de seu cochilo secular. Paul Valéry viria a cunhar a frase mais que justa: ‘‘Baudelaire apresentou Poe ao futuro’’. Conta a história que certa vez, ao entregar os originais de um livro para um editor, Poe estava tão entusiasmado que aconselhou-o a produzir uma tiragem fantástica, porque a obra iria vender barbaridade mundo afora.
O homem olhou-o de soslaio e o escritor, sentindo o peso daquele olhar, tratou de explicar: ‘‘Eu não estou louco’’. Mesmo assim a edição foi mínima e o fracasso de vendas total. Esse fato inspirou o biógrafo a criar o subtítulo do livro.
Ivan Schmidt, autor do ensaio ‘‘Ilusão das Drogas’’ e ‘‘José Amador Reis’’, pequena biografia de um pregador adventista, anuncia seu próximo trabalho: ‘‘O Quadrado Santo’’, romance baseado na Guerra do Contestado.
No momento, porém, está voltado unicamente ao lançamento de ‘‘Nunca Estive Realmente Louco’’, que traz na capa a última fotografia do escritor, dias antes de morrer. A imagem é fiel ao seu estado de alma: os olhos têm uma doce, melancólica e profunda dor pela vida que passou por ele, sem realmente conhecê-lo. Nem ele a ela.
• Edgar Allan Poe - Nunca Estive Realmente Louco -, de Ivan Schmidt. Biografia sobre o escritor americano. Sessão de autógrafos dia 8 de dezembro, às 16 horas, na Livrarias Guignone, Rua Quinze de Novembro, 423, em Curitiba. Preço do exemplar: R$ 15,00.

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