Mais uma de Falabella
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Marcia Cristina da Silva <br> Agência Estado 
São Paulo - Luxúria, falsidade, fofoca, intriga, jogo de interesses. Esses são os motes da comédia ''A Escola do Escândalo'', clássico do dramaturgo irlandês Richard Sheridan (1751-1815), que estreou recentemente no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, e fica em temporada até setembro. O espetáculo, considerado uma das melhores comédias de intrigas do teatro inglês, chega à capital paulista na primeira montagem nacional sob a direção e adaptação de Miguel Falabella.
Ambientada no final do século XVIII, o enredo critica de forma bem-humorada as maledicências - o hábito de falar mal da vida alheia, espalhar boatos e tramar. Tudo isso em plena corte inglesa. ''A maledicência faz parte do ser humano até hoje. Todo mundo diz alguma coisa desabonadora em algum momento. Algumas pessoas mais, outras menos'', disse o diretor, que acredita que a peça vai arrancar gargalhada do público. O elenco reúne, entre outros, atores com experiência no humor como Maria Padilha, Tonico Pereira, Bruno Garcia e Cristina Mutarelli.
Na trama, o rabugento comendador Pedro Atiça (Tonico Pereira) é casado com Rosália (Maria Padilha), ex-camponesa que se deslumbra com a vida fútil na alta sociedade. A relação do casal é ameaçada com a chegada do conquistador José Fachada (Bruno Garcia), que quer seduzir Rosália ao mesmo tempo em que está interessado em Maria (Bianca Comparato), sobrinha de Atiça.
Com a ajuda de Benferina (Rita Elmôr), José faz de tudo para arruinar com a reputação do grande amor de Maria - o irmão de José, Carlos Fachada (Armando Babaioff). O conluio terá ainda o apoio de Benjamin Mordessopra (Marcelo Escorel) e da fofoqueira Dona Cândida (Jacqueline Laurence). Mas os planos de José sofrem uma reviravolta com a chegada de sua tia, Dona Olívia (Cristina Mutarelli), que é alertada por Barata (Chico Tenreiro) das tramoias do sobrinho.
Os sobrenomes dos personagens têm a ver com a personalidade - e maledicência - de cada um: Atiça, Mordessopra, Benferina, Fachada. ''O José Fachada, por exemplo, é um sujeito aparentemente educado, mas no fundo não é nada disto. Ele está interessado na fortuna da prima Maria'', afirmou seu intérprete Bruno Garcia.
Em sua adaptação, Falabella consolidou em três os cinco atos da obra de Sheridan. Cortou aspectos que considerou irrelevantes e reduziu de 23 para dez os personagens na montagem nacional. ''Esta é uma peça inédita pela dificuldade de produção. Era longa e feita para um grupo de atores. Acho que nunca ninguém teve a coragem de cortar'', afirmou o diretor.
''O Sheridan foi um grande comicólogo. Mas as pessoas ainda não têm conhecimento das obras dele no Brasil'', continuou Falabella. ''Acho que o Sheridan foi muito ocultado pelo Shakespeare'', brinca Bruno Garcia, se referindo a um dos maiores dramaturgos de todos os tempos, William Shakespeare.
''Eu faço questão de abrasileirar tudo. Eu sempre traduzo o humor em uma coisa mais brasileira, que chegue mais facilmente às pessoas. E devo chegar porque, senão, eu não estaria aqui até hoje depois de tantos anos. Já teria desaparecido. Permanência, este é o segredo da nossa profissão'', afirmou o diretor, que também é ator, autor e produtor.
SERVIÇO
A Escola do Escândalo
Onde - Teatro Raul Cortez (R. Doutor Plínio Barreto, 285, São Paulo)
Quando - Sexta, às 21h30, sábado, às 21h e domingo, às 18h. Até 18/9
Quanto - R$ 80


