Mais um sucesso
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de dezembro de 1996
Antônio Mariano Júnior 
Chama-se O Gavião (RGE) o 10º disco de Teodoro e Sampaio e que vem com pelo menos uma curiosidade: em nenhum lugar - nem na capa, contracapa ou encarte - há a foto da dupla. Foi proposital. A dupla quer, com isso, chamar a atenção mais para o conteúdo do que propriamente para a embalagem do produto. O que vende mesmo é a boa música. Se um disco não tiver isso, podem colocar 50 pessoas na capa que não vai vender- analisa Sampaio.
Ele deve ter razão. O Gavião, lançado há três meses, já vendeu mais de 100 mil cópias o que deu à dupla o seu oitavo disco de ouro. Mesmo assim, Teodoro e Sampaio ainda não se podem dar ao luxo de simplesmente colocar o disco nas lojas e ficar esperando a boa vontade dos compradores. Por isso, os dois estão fazendo a tradicional peregrinação às estações de rádio e também jornais para divulgar o trabalho, à venda na versão CD e vinil. Um disco só começa mesmo a pegar depois de seis meses e com muita divulgação- explica Teodoro.
A dupla está centrando fogo em cidades-chaves, como Londrina, mas confessa que o trabalho de peso fica mesmo para São Paulo. Os dois viajam para cima e para baixo tendo como trilha sonora as músicas O Gavião (Alcino Alves e Teodoro), Velho Galã (Praense-Pinhalão-Teodoro) e a cômica Cantaram minha Vizinha (Ronaldo Adriano-Muniz Teixeira-Teodoro). Essas são as músicas de trabalho e que estão tocando em algumas rádios do País.
O Gavião, o disco, tem ao todo 14 faixas que, apesar de uma roupagem mais moderna, mantém laivos da tradicional música sertaneja. Isso pode ser constatado principalmente na faixa Sertanejão (Alcino Alves e Antonio Jairo) que é marcada com o ponteado de viola. A participação especial fica a cargo da cantora Perla - é, aquela mesma - que divide o microfone na faixa Olhos Feiticeiros (Alcino Alves-Teodoro), que faz citação de Recuerdos de Ypacaraí (Z. de Mirkin-Demétrio Ortis).
Como um casamento Os norte-paranaense Teodoro e Sampaio - ou, respectivamente, Aldair Teodoro da Silva e Alcino Alves de Freitas - estão juntos há 14 anos. Conheceram-se em 81, em São Paulo. Um já havia falado do outro, até que juntaram as vozes e lançaram em 82 o primeiro disco que recebeu o risível nome de Guarda Roupa Maldito.
Mas foi dois anos depois, graças à música Vestido de Seda (84), que começaram a ser notados. O disco homônimo vendeu 100 mil cópias. A projeção nacional foi acentuada, entretanto, pela inclusão dessa faixa numa coletânea que reunia outros grandes nomes do mundo sertanejo, como Chitãozinho e Xororó. Era o auge do movimento sertanejo. Vendeu quase dois milhões de cópias- exagera Teodoro.
A partir daí, a dupla começou a colecionar outros sucessos como Paixão Proibida (86), Garanhão da Madrugada (94) e O Machão Chorou (95). Não pensem, entretanto, que isso significa comodidade. Nada disso. A dupla, apesar de ter uma carreira estabilizada, precisa, como outra qualquer, estar constantemente na mídia. Mas já virou tradição a gente sair por aí divulgando nosso trabalho mesmo que não seja tão necessário assim- admite Sampaio.
Necessário é, sim. Afinal, uma das qualidades do grande público é não ter memória de elefante. Por esse motivo, a dupla reconhece que é preciso também redobrar os cuidados no que se refere à escolha do repertório de um novo disco. Ainda mais agora que o som sertanejo, apesar de ainda espelhar musicalmente o Brasil, passou a dividir os dials dos rádios com os pagodes. O público é exigente, e se um disco não tiver nenhuma novidade não vende mesmo- diz Teodoro. Mas o único estilo que aguenta qualquer tempestade ainda é o sertanejo- completa Sampaio.
Os dois, pelo jeito, não têm muito do que reclamar nesse sentido. Seus discos não saem da fábrica com menos de 50 mil cópias pedidas antecipadamente, quantidade total que um artista mais sofisticado como Nana Caymmi, por exemplo, vende em pelo menos dois anos. Além disso, mensalmente os dois fazem cerca de 20 shows por várias partes do País. O motivo do sucesso, ainda segundo eles, se deve à fidelidade de estilo que vêm mantendo durante todos esses anos.
Ou seja, aderir às exigências sonoras do mercado sim, mas nada que descaracterize por inteiro suas raízes sertanejas. É como um casamento: a gente tem que contornar as diversas situações e não fazer como muita gente por aí que fica mudando de estilo e atirando para todos os lados- diz Sampaio. Além disso, temos um público fiel porque nossa música é para cima. Nós somos de chutar o balde porque o povo gosta mesmo de alegria- finaliza ele. Então, tá!!


