Mais um sobre alienígena...
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quinta-feira, 10 de julho de 1997
Carlos Eduardo Lourenço Jorge Especial para a Folha2 
ReproduçãoTommy Lee Jones e Will Smith: agentes de elite que investigam a imigração e as atividades de extraterrestresÉ a quarta grande estréia da temporada de férias, sucedendo a Con Air,O Mundo Perdido , Hércules e Batman & Robin, que ocupam as principais salas dos maiores circuitos exibidores do país. Homens de Preto (veja a programação de cinema na página 5) chega em lançamento nacional desalojando principalmente O Mundo Perdido, que já cumpriu seu papel de rolo compressor na primeira quinzena de exibição - entre as quase duas centenas de cópias do filme de Steven Spielberg circulando por aqui, muitas passam para o chamado circuito de segunda linha.
Mas Spielberg com certeza não deve perder o sono com corriqueiras e necessárias mudanças operacionais: como em De Volta para o Futuro e em tantas outras ocasiões, ele e sua Amblin produziram mais esse projeto que também dirigiria, não estivesse tão ocupado com o segundo tempo do jogo arquimilionário com os dinossauros. A direção acabou entregue ao amigo Barry Sonnenfeld (A Família Addams, 1 e 2, O Nome do Jogo), que não tem ainda grande experiência mas é um nome a quem se pode em princípio confiar um orçamento de US$ 80 milhões.
Resposta da Columbia aos blockbusters da Warner (Batman) e da Universal (O Mundo Perdido), Homens de Preto tem a pretensão - legítima, a julgar pelas informações disponíveis - de disputar e dividir status de hit nesta concorridíssima temporada de lançamentos mundiais quase simultâneos. No filme, Tommy Lee Jones e Will Smith (o piloto-herói da patriotada anti-alienígena em Independence Day) são os tais Men In Black, os Homens de Preto, agentes de uma força policial de elite que investiga a imigração e as atividades de extraterrestres e neurolisa as pessoas que tiveram algum contato com eles.
De fato, Tommy Lee gasta boa parte do tempo neurolisando a médica legista de Nova York (Linda Fiorentino), já que um número considerável de alienígenas acaba no Instituto Médico Legal. As coisas se complicam além do esperado quando um E.T. terrorista trama para obter a hegemonia intergalática.
Indiana Jones engraçadoHá dois meses, o diretor Barry Sonnenfeld recebeu jornalistas de alguns países numa ampla e confortável suíte do quarto andar do Noga Hilton, durante o 50º Festival de Cannes, para falar sobre o filme. Sentado diante de um cartaz onde se lia Men In Black. Proteger a Terra da ralé do universo, o ainda jovem diretor abriu a conversa com uma bem-humorada tentativa de definição: É Indiana Jones mais engraçado e com menos ação.
A história se passa em 97 e é uma intriga policial. A diferença é que quem faz o papel dos gangsters são os extraterrestres. E o problema é que não se pode sempre identificá-los, mesmo quando se trata de um homem-verme, fumante, de 10 centímetros de diâmetro ou de um anfíbio obeso e viscoso com quatro línguas...
Durante a entrevista já é possível imaginar que o filme transita pelas imediações da recente invasão marciana de Tim Burton. Além de certas ressonâncias ouvidas do próprio Sonnenfeld, o nome de três habituais colaboradores de Burton consta da ficha técnica distribuída aos jornalistas: o desenhista de produção, o figurinista e o mais conhecido, o compositor Danny Elfman (Batman, pré-Schumacher).
Sobre a história em quadrinhos original, The Man In Black, o diretor afirma que somente leu depois de ser contratado: Honestamente eu a prefiro ao primeiro roteiro. Mas é uma HQ carrregada, muito dark. Trata quase que somente de droga e de tramas sombrias. É magnífica mas completamente diferente do filme. (...) MIB é talvez o mais caro dos filmes de ficção-científica intimistas. Vocês verão o combate entre duas naves mas os terráqueos serão apenas observadores. Na verdade meu interesse maior foi o procedimento policial. Como consequência, acho que antes de tudo o filme é uma mistura de Os Caça-Fantasmas com Operação França.
Sobre os atores principais de Man In Black, uma tentativa de decifrar e um enorme, generoso elogio para Tommy Lee Jones: Ele tem realmente um senso de humor muito, muito bizarro. Com ele tudo parece mortalmente sério, calmo e seco. Mas creio que acho que sei: seu ar magnífico, sua estatura, tudo impressiona as pessoas. E ele se diverte com isso. Dirigi Tommy como dirigi Gene Hackman em O Nome do Jogo. Ambos são atores que se expressam melhor no drama, mas que mantêm a seriedade nas situações de comédia.


