Mais um revival da MPB
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terça-feira, 08 de outubro de 2002
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Saudosos da boa boemia, preparem-se. A Dubas Música acaba de lançar quatro pérolas da música brasileira que remetem aos notívagos que pairavam de plantão na década de 60-70 e que agora podem ser conhecidos também por ouvidos mais jovens. O mais popular dos lançamentos é ''Travessia'', de Milton Nascimento, que é lançado 35 anos depois da sua gravação original. Os outros títulos são ''Sérgio Mendes & Bossa Rio''; ''Esquina de Minas'', de Affonsinho e ''Bossa Nova Lounge'', que reúne os principais sucessos do gênero.
''Travessia'' é o primeiro disco de Milton Nascimento. O encarte do lançamento da Dubas traz depoimentos inéditos de Milton, que comenta as músicas e conta histórias sobre os parceiros de gravação. ''Este disco tem para mim uma importância vital'', conta Milton no encarte do CD. ''Acho que foi uma verdadeira benção poder ter os arranjos do Luizinho Eça logo no meu primeiro disco'', complementa.
O disco de estréia da carreira de um dos mais celebrados cantores brasileiros surgiu logo depois do Festival Internacional da Canção, em 1967. Ele havia inscrito três músicas, ''Travessia'', ''Morro Velho'' e ''Maria Minha fé''. ''Travessia'', que foi composta em parceria com Fernando Brant, ganhou em segundo lugar. O disco foi gravado no mesmo ano, no estúdio da já extinta Ritmos/Codil, acompanhado pelo Tamba Trio, que contava com Luiz Eça ao piano; Ohana na bateria; Dório no baixo e Bebeto na flauta.
As primeiras parcerias de Milton com Fernando Brant fazem parte do disco, além de parcerias com Ronaldo Bastos e Márcio Borges. A maioria porém tem letras do próprio Milton, como ''Morro Velho'', ''Canção do Sal'', ''Catavento'' e ''Maria, minha fé''. Todas as faixas foram remasterizadas para a nova versão.
Outra boa pedida dos recentes lançamentos da Dubas é o disco ''Sérgio Mendes & Bossa Rio - Você ainda não ouviu nada!'', que estava fora de catálogo há décadas. Inédito no formato CD, o disco foi um marco no início dos anos 60. Traz os clássicos ''Ela é carioca'', ''Amor em Paz'' e ''Garota de Ipanema'', de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, composições própria de Sérgio Mendes, como ''Nôa...Nôa...'' e ''Primitivo''.
O disco começou a se desenhar no Festival de Bossa Nova, realizado em novembro de 1962, em Nova York, no célebre Carnegie Hall, onde Sérgio Mendes participou. Voltando ao Brasil, no ano seguinte, ele reuniu-se a Tião Neto, Edison Machado, Raul de Souza, Edson Maciel e Hector Costita e gravou pela Phillips o histórico LP.
Os dois outros lançamentos que integram o pacote da Dubas também resgatam clássicos da bossa nova. ''Esquina de Minas'' traz regravações do mineiro Affonsinho. Ele aceitou a proposta de Ronaldo Bastos, da Dubas Música e regravou algumas canções do Clube da Esquina. ''Fizemos o disco brincando de fazer encontros das esquinas de Minas com as esquinas desse universo fantástico que é a música'', relata Affonsinho.
De família mineira, o músico passou dois grandes períodos no Rio de Janeiro. O segundo deles foi na década de 80, quando integrou a banda Hanoi Hanoi. Voltou para Belo Horizonte em 1993. ''Esquina de Minas'' é o segundo disco dele lançado pela Dubas. O primeiro, em 2001, foi ''Zumzum'', só com composições suas.
Também um resgate do gênero ''banquinho e violão'' é o disco ''Bossa nova lounge - Corcovado''. O CD abre com ''Solo'' (J.T. Meirelles) e faz um passeio por clássicos como ''Corcovado'' (Antônio Carlos Jobim), ''Água de Beber'', de Wanda Sá e ''Só Danço Samba'' (João Donato e Seu Trio). O CD traz 12 faixas e foi produzido por Leonel Pereda e Ronaldo Bastos.


