Mais um rebelde se vai
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de abril de 1997
Frédéric Bichon France Presse 
O poeta americano Allen Ginsberg, o mais conhecido poeta da geração beat, morreu no sábado aos 70 anos, em sua casa em Nova York, vítima de câncer no fígado. Ele estava cercado de amigos e parentes. Ginsberg, que há poucos dias acabou de escrever o livro Da Fama e da Morte, havia recentemente recebido o prognóstico de que viveria entre quatro meses e um ano. O poeta maldito nasceu em Paterson, New Jersey, em 3 de junho de 1926, e era filho do também poeta Louis Ginsberg e de Noemi, uma russa que morreu louca num hospital de Manhattan.
Allen Ginsberg foi internado há dez dias para submeter-se a exames e diagnosticamos um câncer de fígado há uma semana, relatou o médico dele, David Claine, do Beth Israel Medical Center de Nova York
O escritor sofria de hepatite C crônica há anos. Desde 88 tinha cirrose, que acabou se transformando em câncer, disse o médico.
O poeta, que vivia há quatro décadas no East Village de Manhattan, ao lado de seu companheiro, Peter Orlovky, entroupara o cenário literário em 1956, com Howl and Other Poems, um livro que lhe valeu perseguições judiciais devido a seu teor obsceno e por declarar sem pudores seu homossexualismo.
Professor de inglês O livro virou bíblia do movimento beat (porrada) do qual ele participou junto com Jack Kerouac, William Burroughs e Gregory Corso, e que influenciou artistas tão diferentes quanto Bob Dylan, Patti Smith, Jerry García, até mais recentemente, a banda de rock inglesa, The Cure.
Enquanto ganhava a vida como professor de inglês, no baiiro de classe média do Brooklyn, publicou mais de 40 volumes de poemas. Seu livro Fall of America recebeu o National Book Award, maior premiação literária dos EUA. Depois de virar, na década de 50, o papa da beat generation, dez anos mais tarde, se converteu no líder de movimentos de liberação homossexual, experimentou todos os tipos de drogas e, especialmente o LSD, foi claramente contra a Guerra do Vietnã e aos totalitarismos cubano, chinês e soviético.
A idade não roubou a rebeldia dele, nem a criatividade. Volta e meia aparecia em público em rodas de poesia, muitas vezes ao lado do amigo Bob Dylan, artista que ele acompanhou num tour, durante todo o ano de 1977.
Ginsberg chegou a gravar o poema The Ballad of the Skeletons com acompanhamento musical do ex-Beatle, Paul McCartney e do músico Philip Glass.


