Mais um desafio para a namoradinha do brasil
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sábado, 25 de outubro de 1997
Márcia Basílio TV Press 
Luiza Dantas/Carta Z NotíciasRegina Duarte: Estamos carentes de obras que mostrem e coloquem em discussão as grandes virtudes do ser humanoSempre tive medo das vilãs. Prefiro fazer trabalhos que me ajudem a evoluir como ser humano, assume Regina Duarte. Há mais de 30 anos fazendo tevê, a atriz volta ao vídeo interpretando mais uma mulher de boa índole. Como em sua última novela, História de Amor, em Por Amor a atriz vive outra Helena politicamente correta, generosa e leal. E, ainda por cima, criada por Manoel Carlos. Embora admita que a nova personagem é mesmo uma velha conhecida, Regina acredita que esse será o papel mais difícil de sua carreira.
Tudo porque Regina vê Helena como um personagem complexo, que passará por grandes conflitos. Como abdicar do próprio filho em troca da felicidade da filha mais velha - que perde um filho na mesma ocasião que a mãe dá à luz. Temo pelas experiências que Helena vai me fazer passar, avalia Regina.
O jeito manso, dócil e delicado que fez com que Regina Duarte um dia fosse aclamada como a namoradinha do Brasil continua a ser a marca registrada da atriz. No rosto, alguns traços atestam a passagem do tempo. Mas o carisma e o ar angelical estão preservados. São essas características que permitem que a atriz, aos 50 anos, continue a interpretar papéis românticos. Nessas três décadas de carreira, foram poucas as tramas onde Regina teve oportunidade de ousar um pouco mais. Tanto em Roque Santeiro quanto em Rainha da Sucata, Regina abriu mão do eterno ar de boa moça para viver de forma bem-humorada duas peruas bastante escrachadas. Já no seriado Malu Mulher, o romantismo dos tipos habituais deu lugar ao cotidiano de uma socióloga recém-divorciada, em constantes conflitos com sua problemática filha adolescente.
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Na novela das oito, uma das principais apostas do autor Manoel Carlos é a parceria de Regina com sua filha Gabriela Duarte, que interpreta Maria Eduarda - a filha de Helena. Tanto que fotos antigas de Regina e Gabriela juntas foram usadas na abertura de Por Amor. Dessa forma, um pouco do passado em comum das atrizes acabou sendo emprestado para os personagens Helena e Maria Eduarda.
Como você define a Helena de Por Amor?
Regina Duarte - A Helena é um personagem que, à primeira vista, achei que seria fácil fazer. Para mim, ela é uma pessoa conhecida e chego a dizer que é parente do personagem que fiz em História de Amor. Mas, à medida que vou lendo os capítulos da novela, constato que ela me propõe desafios grandes e certamente vai ser o papel mais difícil de todos que já fiz até agora. Ela tem uma proposta dentro da história que vai me trazer grandes dificuldades para interpretar. Estou aguardando com muita expectativa e ansiedade o momento da troca dos bebês. Esse vai ser exatamente o grande momento da trama. Tenho certeza que esse será um dos temas mais difíceis para eu interpretar.
O que Helena tem que vai conquistar a simpatia do público?
Regina - Ela tem um pouco de cada mulher. É a mulher ideal na medida que simboliza todas as mulheres. Em cada momento, em cada cena, ela mostra um aspecto da feminilidade, da garra, da generosidade, dos conflitos, do sexto sentido. Isso é um ponto muito forte.
No que ela difere das outras personagens que você já fez?
Regina - Ela tem uma complexidade. Ao mesmo tempo que parece uma santa e se comporta como uma pessoa quase perfeita, vive o inverso dessas mesmas qualidades. Ela erra, se arrepende e cai em contradição. Helena é um personagem que não tem uma linha pré-estabelecida. É muito humana e a humanidade supõe grandezas e fraquezas. Nunca um personagem que fiz me impressionou tanto quanto ela.
Como é contracenar com sua filha Gabriela?
Regina - Trabalhar com ela é uma coisa muito gostosa. Temos uma relação muito boa e sempre tivemos. É muito interessante e fico emocionada. No início fiquei muito nervosa e tensa porque o meu lado mãe estava muito presente. Não que hoje a mãe Regina fique do lado de fora do estúdio, do set de gravação, mas na verdade agora ela está ali mais tranquila e a atriz pode se sentir mais solta para contracenar com a colega. Achei que o meu lado mãe iria ficar fora do estúdio, mas na verdade ele é muito mais forte do que eu imaginava. A mãe Regina está presente o tempo inteiro.
Em algum momento da gravação você já confundiu a Eduarda com a Gabriela?
Regina - Na hora da gravação não. Mas teve uma vez que nós estávamos ensaiando e que eu chamei a Eduarda de Gabriela. Era numa cena em que a Eduarda diz para mãe que não está conseguindo engravidar e eu respondi dizendo: Gabriela, você tem que relaxar...
Você fez par romântico com o Antônio Fagundes em Nina e em Vale Tudo. Como está sendo essa parceria em Por Amor?
Regina - Ele é um profissional excepcional. O Fagundes tem uma objetividade e uma sensibilidade muito grandes. Nos damos muito bem e existe uma química entre nós que funciona legal. Sinto que ele tem uma paixão pelo trabalho que é muito parecida com a minha. Isso faz com que o trabalho se torne muito agradável. Por isso é sempre muito estimulante contracenar com ele.
Por Amor é a segunda novela seguida que você faz do Manoel Carlos. O que você considera mais forte no texto dele?
Regina - As obras dele têm coisas maravilhosas. Já havia trabalhado com ele também em Malu Mulher e Joana. Na verdade, gostei muito de fazer História de Amor e não queria que ela terminasse. Queria que fosse uma daquelas novelas que têm no exterior que ficam no ar por bastante tempo. Mas como isso não era possível, falei para o Maneco que gostaria de voltar a trabalhar com ele e que não precisava ser aquela mesma Helena, mas que qualquer Helena que ele me apresentasse, eu topava. Ele coloca poesia no cotidiano mais banal. Depois de assistir a um capítulo de uma novela dele, tenho a impressão de que ficamos gostando mais do nosso cotidiano sem graça.
Você acha que é isso que o público brasileiro está querendo ver na tevê?
Regina - Estamos carentes de obras que mostrem e coloquem em discussão as grandes virtudes do ser humano. Coisas boas. Sentimentos como solidariedade, generosidade, lealdade e honestidade. O ser humano está carente de coisas que o façam pensar e se identificar com esses sentimentos. A visita do Papa ao Brasil mostrou que as pessoas estão precisando voltar a reforçar valores que o ser humano precisa para sobreviver com dignidade, com honestidade. Acho que as novelas do Maneco, de tudo que elas oferecem, o mais importante é que mostram valores éticos essenciais ao homem.
Muito atores reclamam do tamanho das novelas. Dizem que elas são grandes demais e que por isso tomam muito tempo. Você é da mesma opinião?
Regina - Realmente as novelas consomem muito tempo dos atores. Mas, particularmente, gosto de fazer novela. Sou noveleira e, por isso, o fato de ela ser grande ou não acaba ficando para segundo plano. Espero ainda poder fazer muitas novelas na minha carreira. Elas estão nos meus projetos, ainda.
Você também tem projetos para fazer cinema. Em que pé estão?
Regina - O que posso adiantar é que, para o cinema, tenho convites para atuar como atriz em dois longas. Tem um outro da HBO que é para fazer a direção de um curta. Ele fará parte de um longa que será dividido em três partes. Mas ainda estou estudando as propostas. O único que dei ok por enquanto foi para HBO e o que sei por enquanto é que o curta vai falar sobre o relacionamento homem-mulher.
Como estão suas expectativas para estrear como diretora de cinema?
Regina - Em alguns aspectos me sinto preparada, como por exemplo com relação ao texto e aos atores. Mas a técnica utilizada pelo cinema ainda me assusta um pouco e gostaria de me preparar mais para esse trabalho.


