‘‘Não é Mais um Besteirol Americano’’, não tenham nenhuma dúvida, é simplesmente outro filme raso de adolescentes com toda a carga negativa implícita ao gênero, o chamado ‘‘teen movie’’, de acordo com rotulação globalizada a constar de provável capítulo de bobagens de uma reedição do ‘‘Guinness Book of Movie - Facts & Feats’’ (Abbeville Press Publication, New York, 240 pags, U$ 19.95).
Logo agora, que você pensava ser quase impossível Hollywood mostrar faceta mais desprezível, eis que surge um filme que transporta o cinema a nível inteiramente novo de imitação barata e inferior. São 90 minutos, tempo bem mais que suficiente para que se defina a palavra gratuito. Humor de banheiro, com fluidos corporais inclusos, é pouco para as cinco cabeças e dez mãos que assinam um roteiro (?) entregue ao ex-MTV e estreante no cinema Joel Gallen. O problema, de resto absolutamente insolúvel, é que os realizadores se juntaram para parodiar a comédia teen, mas ninguém avisou a eles que o gênero se tornou tão sordida e vergonhosamente vulgar que qualquer tentativa de sátira é impossível, restando apenas o caminho nauseante da total grosseria.
A história se passa na John Hugues High Scholl, óbvia referência aquele que é o pai, digamos, espiritual do gênero, a partir dos anos 80. Pense num título, qualquer título do gênero (mesmo que você nem imagine, até ‘‘Beleza Americana’’ é arbitrariamente citada) e pelo menos uma situação e um personagem estão aqui presentes. Juntos, todos os estereótipos, e neste caso ainda carregados de caricatura, o que é pior - o louro pretencioso, o amigo bobo e popular, a garota feiosa de óculos e rabo-de-cavalo, a indefectível aposta, os votos de perda de virgindade, a puberdade que se arrasta, a masturbação, algumas explicitudes, a chefe da torcida, o jogo de futebol, a conversa pesada sobre sexo, situações de incesto, sexo anal, o baile de formatura, o comportamento de gatas no cio. Enfim, todas as convenções e clichês não satirizados, mas apenas exaustivamente repetidos.
Ainda o problema da paródia que não funciona: quando se pretende parodiar comédias é necessário um texto que seja tão ou mais esperto do que a fonte. ‘‘Não é Mais um Besteirol Americano’’ faz o citado John Hughes parecer Mark Twain. E ‘‘American Pie’’ se transforma em ‘‘Cidadão Kane’’. Por essa e por todas as outras, o filme é pura perda de tempo.

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