Mais um ano de boa música
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sexta-feira, 01 de agosto de 1997
Antônio Mariano Júnior Londrina 
Dorivan Marinho/DivulgaçãoFernanda Jiran, apresentadora e produtora do programa: paixão pela óperaA comemoração oficial foi na última sexta-feira (1º de agosto). Mas em função da data não coincidir com o dia da semana em que é apresentado, os quatro anos do Programa Para Gostar de Ópera, que vai ar pela Rádio Universidade FM (107,9 Mhz) foram comemorados na última terça-feira. Detalhes, detalhes. O importante é que o programa, apresentado e produzido pela professora Fernanda Jiran, vem contribuindo e muito com a sofisticada programação da emissora.
Para uma data especial, alguém muito especial. E Fernanda optou por colocar no ar um CD em que a soprano neozeolandesa Kiri Te Kanawa interpreta grandes heroínas das ópera de Verdi e Puccini, entre elas Elizabeth de Valois (Don Carlo) e Violeta (La Traviata), entre outras.O programa será reapresentado amanhã, às 21 horas. Para Gostar de Ópera nasceu do convite feito pela ex-diretora da Rádio Universidade FM, Rosa Abelin, em 93, em função do trabalho que Fernanda desenvolvia (e ainda desenvolve) na Associação Médica de Londrina através do projeto Ópera aos Domingos.
Trata-se de exibição de óperas, em videolaser, com direito a libreto explicativo e que acontece sempre no último domingo de cada mês. Além disso, Fernanda mantém, também na AML, outros projeto: o Encontros Musicais das Segundas-feiras. É por essas e outras, além da paixão pela boa música, que credencia a professora a levar ao ar um programa que pretende, como o próprio nome diz, conquistar um número cada vez maior de ouvintes de óperas.
Durante o programa, Fernanda Jiran vai tecendo comentários e dando, sobretudo, informações valiosas sobre o que ela programou para ir ao ar. Seu público, como explica, é dos mais ecléticos. Ou seja, não é elitizado como se supõe. A constatação, de acordo com Fernanda Jiran, veio há alguns quando a Rádio Universidade encomendou uma pesquisa, para uso interno, para avaliar aceitação da comunidade.
A surpresa: o seu Para Gostar de Ópera foi bastante destacado por pessoas que moram nas regiões mais distante da cidade. Todo mundo gosta de ópera até quem pensa que não gosta- afirma Fernanda Jiran. Além deste programa, a professora apresenta, também na Universidade FM, o programa Concerto Noturno que vai ao ar às terças- feiras, das 22 horas à meia-noite (com reapresentação aos domingos, no mesmo horário). O acervo e produção ficam a cargo de Calim Jabur.
Paixão de meninaO gosto pela ópera nasceu quando Fernanda ainda era menina. Nasceu, mais especificamente, através de um programa que era transmitido pela Rádio Inconfidência, de Belo Horizonte, diariamente, do meio dia às 13 horas que só tocava ópera. Ela ouvia e se encantava, entre outros, por astros do canto lírico da época como a soprano Lucrezia Bori. Era uma época dos discos de 78 rpm.
Claro, o ambiente familiar era propício à boa música - a mãe, por exemplo, era professora de piano. Ópera era coisa minha e de mais ninguém na minha casa. Gostava talvez por que tinha uma mentalidade romântica- afirma a professora. Tosca era minha heroína porque era uma mulher valente- complementa.
A primeira ópera ao vivo que Fernanda assistiu foi em Belo Horizonte. O ano, 1951. O local, Teatro Francisco Nunes. A ópera, Lucia di Lammermoor, de Gaetano Donizetti. A protagonista, a soprano Zilda Lourenço. Foi deslumbrante- resume Fernanda Jiran. Com o decorrer do tempo o gosto foi aprimorando, o acervo (não revelado) aumentando e Fernanda se especializando cada vez mais no gênero.
Suas óperas preferidas podem ser resumidas em La Traviata, Aida (ambas de Verdi), Carmen (Bizet), Tann Hauser (Wagner), La Boheme (Puccini). Quanto aos cantores, a lista é grande. Na parte feminina, a professora chega a citar suas favoritas especificando as respectivas classificações vocais. Algumas delas: Jessie Norman, como soprano dramático (ela tem voz oceânica); Katleen Battle, como soprano ligeiro; e Kiri Te Kanawa, como soprano lírico-ligeiro; Marylin Horne, como mezzo-soprano.
Da atual santíssima trindade dos tenores, Fernanda aponta para Plácido Domingos. O que acaba por contrariar uns e outros que elegem Luciano Pavarotti como o grande deus da voz. Fernanda tem sérias restrições ao tenor italiano. Sua voz era linda e hoje está uma bagunça. Cantando, ele parece uma primadona com aquele lencinho na mão. Além do mais ele é péssimo ator. Como Radamés, em Aida, ele está uma figura desagradável- diz ela.
Mas, ainda segundo a professora, há uma boa fornada de novos talentos do canto lírico. Entre outros, ela cita a contralto Nicole Stutzmann e na parte masculina, o tenor Roberto Alagna. Que, na avaliação da expert, logo logo vai desbancar Plácido, José e Luciano.


