Mais um!!
Para manter-se em evidência, a cantora e atriz Tânia Alves volta à cena com outro disco de boleros
DivulgaçãoTânia Alves: disco traz versões, regravações e até conversões de clássicos da MPB para o bolero
Antônio Mariano Júnior
De Londrina
Tânia Alves acaba de gravar seu quinto disco consecutivo de boleros. Estaria ela sofrendo de Síndrome de Aquarela, o mesmo mal que acomete Emílio Santiago? Sim, está. E pelo jeito não quer buscar ajuda já que encantou-se com o eco devolvido pelo público chegadinho no dois pra lá, dois pra cá. Em outras palavras, a atriz e cantora encontrou um jeito assim como o colega Emílio de permanecer em evidência no mundo fonográfico. Portanto, enquanto houver boa aceitação Tânia Alves vai aumentando sua discografia até agora são 12 discos e dançando de rostinho colado com seu pelo jeito fiel público.
Coração de Bolero (Abril Music) é o nome do disco. Muitas versões, muitas regravações e apenas uma música inédita, a que dá nome ao trabalho, assinada por Cristóvão Bastos e Claudio Rabello. Doze faixas no total. Como nos discos anteriores, Tânia Alves resgata alguns tesouros do cancioneiro brasileiro devidamente ajeitados à sua proposta. E daí que Ninguém me Ama (Fernando Lobo-Antonio Maria) e Tatuagem (Chico Buarque-Ruy Guerra) surgem, agora, aboleiradas. Hum!!
A produção ficou a cargo do competente José Milton. Que convocou um batalhão de músicos uma orquestrona mesmo para imprimir um pouco de dignidade e sofisticação a Coração de Bolero. Pelo menos os arranjos não caem em clichês próprios de trabalho do gênero as músicas não terminam, por exemplo, com o famoso tchan-tchan-tchan instrumental. Bongôs foram aposentados; a percussão vem de leve, só para lembrar que se trata de um disco de bolero.
Todos esses esforço, no entanto, não conseguem fazer de Coração de Bolero um trabalho diferenciado. É preciso gostar muito de bolero e também de Tânia Alves para ouvir o disco de cabo a rabo sem bocejar ou encostar a cabeça no braço do sofá, dormir e deixar o copo de cuba libre espatifar-se no chão. E olha que desta vez Tânia não ataca de bolero-lero aqueles com arranjos fajutos ideais para animar coquetéis de lançamento de tupperware.
No disco, Tânia permite-se não pegar somente o lado mais açucarado dos boleros. É certo que o romantismo ainda é tônica, mas há algo alegre que fará os pares acelerarem os passos. É o caso de De Pouquinho em Pouquinho (versão de Claudio Rabello para Poquito a Poquito, de Daniela Romo e Bebu Silvetti), embora descambe um pouco para bolerão de bordel.
Na linha pisaram em mi corazón, vale a pena ouvi-la em Esquecida (Tânia aparece pungente como intérprete) e na regravação de Dez Anos (um dos grandes sucessos de Emilinha Borba; a faixa, aliás, é dedicada a ela). No todo, Coração de Bolero é disco inócuo; perfeito para se ouvir enquanto se namora sobre um colcha de matelassê bordô.





