MAIS QUE UM ROSTINHO BONITO
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de junho de 2000
Rodrigo Teixeira TV Press 
Heitor Martinez nunca esteve tão vestido. Em Uga Uga o ator, que vive o atrapalhado vilão Rolando, praticamente não mostra seus atributos físicos e nem aparece em cenas calientes. Situação nova para Heitor, que ganhou destaque em 1997 com o mulherengo Ricardo, no filme Como Ser Solteiro, de Rosane Svartman, que não dispensava um rabo-de-saia. Em Suave Veneno, o ator também aparecia frequentemente, na pele do personagem Claudionor, na cama com a morena Nívea Stelmann em situações para lá de tórridas. Mas em Uga Uga, Heitor sequer tirou a camisa. Pelo contrário: só usa ternos das grifes Giorgio Armani e Hugo Boss. Para mim está ótimo. É diferente do que já fiz e isto ajuda a não ficar estigmatizado como ator de papéis sensuais, garante o carioca de 32 anos.
Heitor está motivado por interpretar um personagem que prima mais pelo humor do que pela sedução. Mas o ator não esconde a dificuldade que está sentindo em se adaptar ao texto de Carlos Lombardi. O meu personagem fala frases enormes e no início nem entendia o que o autor queria dizer, assume Heitor, que vibra com a oportunidade de estar trabalhando pela primeira vez com atores como Lima Duarte e Vera Holtz. Paralelamente ao trabalho em Uga Uga, o ator está em cartaz com a peça Relax, Its Sex, de Wolf Maya, que também dirige a novela. Assim como em Uga Uga, Heitor contracena com Daniele Winits. A diferença é que no palco o ator pode ser visto completamente sem roupa. Não tenho problemas em me despir. O que não gosto é de usar tapa-sexo, revela Heitor.
Antes de Uga Uga você só havia feito personagens com forte conotação sexual. A novela está servindo para quebrar este estereótipo?
Sem dúvida. O comentário que ouço nas ruas e dos amigos é que estou fazendo um trabalho diferente de tudo que fiz na minha carreira. Então, está ótimo. Não precisei tirar a camisa ainda em Uga Uga. Só usei um baby-doll, mas foi mais pelo lado da palhaçada da cena. E só. No restante da novela, pelo menos por enquanto, só uso Giorgio Armani e Hugo Boss.
O que chama mais sua atenção no seu personagem, o Rolando?
Acho ele bem divertido. Apesar de falar absurdos, ele não me afeta negativamente. É difícil alguém não ter mau humor. E o Rolando é completamente mal-humorado. Qualquer coisa que o incomode, ele despeja um monte de palavrões. Então fui buscar isto dentro de mim, pois tenho momentos de mau humor como todo mundo. E o trabalho do ator é catalisar as próprias características para tornar o personagem mais rico.
Por que você dispensa os dublês nas cenas de ação da novela?
Na verdade, sou o tipo de ator que faz o que o diretor manda. Não tenho frescura. Tanto que em algumas cenas em que tinha de entrar em um caminhão cheio de porcos, eu fiz questão de fazer pessoalmente. Mas Uga Uga está servindo mesmo como uma aula de humor, principalmente porque estou contracenando com mestres deste estilo, como Lima Duarte e Vera Holtz. Além do mais, a comédia do Lombardi foge do estilo escrachado, tipo ficar fazendo careta. No entanto, o que mais me motivou a fazer Uga Uga foi a possibilidade de fugir do papel de galã. Prefiro fazer o escada ou o bobo da corte.
Por quê?
Porque galã é muito chato e certinho. É óbvio demais. Sempre vai ser bonzinho e parece que não tem lado ruim. O pior é o apelo, que quase sempre cai para o lado sensual. Esta exploração da plástica é um saco. Não gosto e nem tenho muito estilo.
Fazer a peça Relax, Its Sex ao mesmo tempo que a novela não atrapalha a sua performance na tevê?
Atrapalharia se a gente ainda estivesse ensaiando no teatro. Aí eu não faria a peça, porque o processo de composição é muito complicado. Tenho de estar com a cabeça aberta. Mesmo porque se não chegar com o texto decorado, tanto na peça como na novela, tomo esporro do diretor, mesmo sendo o Wolf no comando das duas produções. Não tem moleza. No teatro fica-se mais tempo com o mesmo grupo. Ao contrário da novela, os atores saem para conversar e ficam mais íntimos. Na peça a gente fica nu em pelo. E, graças a Deus, não usamos tapa-sexo.
Você não gosta de tapa-sexo?
Odeio. Porque é um fio dental no seu traseiro. Um fiozinho ridículo que incomoda. Fica até mais indecente. A primeira vez que usei tapa-sexo foi em Suave Veneno. Mas aí tudo bem, porque era a primeira cena com a Nívea Stelmann e ela estava nervosa. Depois não usei mais. Mas quando botei, parecia fantasia de escola de samba. Eu disse: ah, que ridículo. Só para não ver um bigulinho que todo mundo tem. Se tivesse algum problema, mas não, sou normal. Prefiro ficar nu.


