Mais que um romance
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de outubro de 1997
Estelio Feldman Londrina 
ReproduçãoBarbara Delinski: uma escritora que frequenta listas de best sellersÉ com enorme satisfação que apresento a quem gosta de ler a escritora norte-americana Barbara Delinski. Não conhecia esta autora, que já vendeu mais de 10 milhões de exemplares e teve seus livros traduzidos para 14 idiomas. Quando li a contracapa de Juntos na Solidão, revelando que se trata da história de três mulheres, pelos 40 anos, iniciando uma nova etapa na vida depois que as filhas foram para a Universidade, fiquei curioso. Não era, eu percebi, nenhum dos estilos que aprecio: policial, suspense, mistério, terror. Parecia mais um daqueles água-com-açúcar. Mas, fiquei curioso, li e fiquei encantado.
Não é um romance água-com-açúcar, embora haja algumas passagens bem adocidadas. Mas é mais que isto, um estudo sobre a vida, a solidão apesar de se estar cercado de gente, talvez a pior das solidões. Pode-se dizer que não se trata de uma realidade brasileira, mas a verdade é que os sentimentos são universais. E o modo como a escritora nos conduz pela história, cria uma empatia com os personagens. Para completar, há também um crime e uma longa e terrível investigação que envolve mais do que saber quem o cometeu ou por que o fez, mas que aprofunda sobre o sentimento de quem foi vítima de uma das piores violências que se pode cometer contra uma pessoa, o sequestro de seu filho.
Tudo muito bem temperado e dosado, o romance nos leva como verdadeiros cúmplices da trama, participantes da angústia e das preocupações das personagens, numa história que não tem bandidos - e nem mocinhos - mas gente estuante de vida, enfrentando a solidão, o desamor, o desencontro, coisas que povoam a realidade de quase todos nós.
Depois de terminar o romance (que, como de costume, me deixou com saudades por me despedir dos personagens - acho que é por isto que eu costumo reler livros) comecei a procurar o outro livro da sra. Delinsky, Para minhas filhas. Quando o encontrar, conto para vocês.


