A MTV sempre se colocou como um canal aberto a experimentações. No Brasil não é diferente. Desde que a versão nacional da emissora estreou, na década de 1990, já passaram por lá mais de 120 "VJ's" – como são chamados seus apresentadores. Entre eles, alguns são famosos, como modelos, atores e músicos. Mas a maioria costuma ser de profissionais estreantes na mídia. Todo esse investimento em novidades é fruto de dois fatores básicos: uma grade com bastante espaço para produções próprias e poucos vínculos comerciais. Com liberdade para inovar, apresentadores, atores e comediantes conseguem chamar a atenção e, consequentemente, atrair convites de outras emissoras.
O caso mais recente é o de Marcelo Adnet e Dani Calabresa. Contratados em 2008, quando a MTV Brasil passava por uma renovação em seu quadro de programas, o casal foi chamado para explorar o lado humorístico do canal. A aposta deu certo. E a linha de entretenimento da emissora, que era baseada em música e reality shows, foi dominada por esquetes cômicas. O sucesso gerou interesse nas concorrentes. Com apenas um ano de casa, Adnet e Calabresa já estavam sendo sondados por outros canais. Mas só agora eles decidiram deixar a MTV. Enquanto o comediante está em negociação com a Globo, sua mulher já assinou com a Band para integrar o elenco do "CQC".
Entretanto, apesar de muitas vezes ser visto como crescimento profissional, trocar a MTV por uma emissora aberta é uma escolha questionável. As grades de programação mais sólidas e as limitações em relação ao conteúdo das produções dificultam a adaptação dos apresentadores às tevês que brigam por ibope. Com isso, a maioria acaba fracassando na transição. Cazé Peçanha, Babi Xavier, André Vasco, Marcos Mion, Sarah Oliveira, Didi Wagner, Astrid Fontenelle e Maria Paula são apenas alguns exemplos de VJ´s que deixaram a MTV no auge de suas carreiras e não conseguiram emplacar em outros canais.
Entre eles, alguns ainda tentaram recuperar o prestígio voltando para a emissora de origem, como Mion e Cazé. Mas em nenhum dos casos o retorno foi duradouro e os dois já estão na tevê aberta novamente: Mion com "Legendários" e Cazé com "A Liga". Outros ainda apostam em traçar suas carreiras fora da MTV, mas colecionam tentativas malsucedidas. Como a Babi que passou os últimos anos trocando de emissora. Já foi da Globo, do SBT e hoje está na Record. Em todos os canais, fez pequenas participações em novelas e programas.
Uns simplesmente perdem espaço na mídia. Kika Martinez, que foi revelada pelo canal jovem e chegou a apresentar cinco programas diferentes por lá entre 2008 e 2011, agora é repórter do "Domingão do Faustão". Outros somem da tevê, como Adriana Lessa, que foi VJ em 1994 e, atualmente, está sem contrato com nenhuma emissora.
Mesmo sendo minoria, alguns casos deram certo. Zeca Camargo, por exemplo, que esteve na MTV desde a sua estreia no Brasil como diretor de jornalismo e apresentador do "MTV no Ar", foi chamado pela Globo em 1996 para comandar o quadro "Altos Papos", do "Fantástico". Hoje, o jornalista é âncora do programa.
O futuro de Adnet e Calabresa fora da MTV ainda é incerto. Mas assim como muitos exemplos vistos ao longo dos 22 anos da emissora, a falta de liberdade artística da tevê aberta pode pesar contra seus novos projetos.

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