Heróis e vilões têm algo em comum. Apesar de estarem em lados opostos entre o bem e o mal. Cada um deles faz o que faz motivado pelos próprios conflitos que, na maioria da vezes, não estão claros em qualquer história. A premiada autora canadense Suzanne Lebeau aposta na capacidade de crianças e adolescentes compreenderem esse dilema, elaborando os sentimentos mais profundos e temores dos personagens. Até então inédita no Brasil, ela aparece na montagem do espetáculo infantil ''Ogroleto'', da Cia Borogodó, do Rio de Janeiro, atração de amanhã à noite, na Tenda Mostra Infantil do Filo.
Ogroleto é um menino que tenta achar o seu espaço no mundo. Como os heróis dos clássicos da literatura, ele faz o seu périplo em que o bem sempre triufa.
Porém, antes disso, precisa enfrentar grandes desafios. O primeiro deles será descobrir que não é um menino como os outros. Na verdade é um ogro. A descoberta é feita quando começa a sentir atração pela cor vermelha e ter o desejo de comer pequenos animais da floresta.
O espetáculo tem direção de Karen Acioly, nome consagrado do teatro infantil brasileiro, e que assina espetáculos que atraem públicos de todas as idades, autora de mais de 20 peças. E ''Ogroleto'' é só uma das atrações do final de semana, que destaca no domingo a única apresentação de ''H3'', do Grupo de Rua, de Niterói (RJ).
Antes disso, o público pode ver, ainda hoje, outras quatro estreias no festival: ''La Vida Privada'', da Escuela de Teatro & Comunicatión Escênica Universidad de Artes, Ciencias Y Comunicatión (UNIACC), do Chile; os cariocas do Grupo Teatral Moitará com a peça ''Acorda Zé! A Comadre Tá de Pé'', e os londrinenses ''Mancha Roxa'', Cia Funcart de Teatro, e ''Raízes, Racines...'', da Cia Cristal - CEPIAC. Os dois últimos com reapresentações sábado e domingo.
A fusão de dança contemporânea com hip hop do ''H3'' rendeu ao diretor Bruno Beltrão o reconhecimento da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), chamando a atenção também da crítica europeia ao se apresentar no Kusten Festival des Arts, em Bruxelas, conquistando ainda a França, Holanda, Alemanha e Inglaterra.
O espetáculo é complexo. São nove bailarinos e o chão é o décimo elemento em cena.
''La Vida Privada'' é outra atração do encerramento do festival. Os desequilíbrios de uma família onde uma mãe ninfomaníaca e um pai com tendências homossexuais só amplificam os dramas famíliares.
Com direção de Gonzalo Cid, o texto é de Marco Antonio de La Parra, médico e autor de mais de 70 títulos, entre peças teatrais, novelas e ensaios traduzidos para vários idiomas.

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