Mais próxima da canção popular
Fazendo link entre o 78RPM e o MP3, não só porque muitas parecem canções antigas com verniz contemporâneo (e algumas de fato o são, seja na idade ou no gênero), Marisa trabalhou a sonoridade de cada faixa individualmente. Em conversa com Hermano Vianna, ela comentou que pode ser que no futuro lance canções de ''duas em duas, de três em três, de uma em uma''. ''Não tenho nada contra isso, acho bem legal, mas acho que enquanto ainda existir um produto físico, ele serve como referência de formato. Acho que realmente o produto físico vai se tornar um consumo de nicho como é hoje em dia o LP.''
Sinal dos tempos em que se ouve música aleatoriamente, este, portanto, pode ser o último álbum de quem lançou poucos na carreira. Sem o perfil conceitual de ''Infinito Particular'' e ''Universo ao Meu Redor'', lançados simultaneamente em 2006, ''O Que Você Quer Saber de Verdade'' mais parece uma compilação de singles propícios a diversas celebrações tendo o velho tema do amor em comum, ''de forma contemporânea''. ''Então, têm várias questões com as quais a minha geração e as pessoas que estão hoje vivendo a questão amorosa se confrontam, como ter uma relação amorosa satisfatória e duradoura'', diz Marisa.
Entre melancólicas e ensolaradas, inéditas e regravações de canções do repertório de Jorge Ben (''Descalço no Parque''), Dalva de Oliveira (''Lencinho Querido''), Arnaldo Antunes (''O Que Você Quer Saber de Verdade''), Carlinhos Brown (''Verdade, Uma Ilusão''), Dadi (''Bem Aqui'') e o filho dele André Carvalho (''Nada Tudo''), este é o disco em que Marisa mais se aproxima da canção dita popular. Não por acaso.
Naturalmente ela reconhece mais uma vez as influências que sempre se identificou em sua música: ''Se eu estou aqui é porque ouvi Roberto Carlos e Tim Maia a vida inteira''. É tudo verdade.





