Mais prazer no trabalho
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de abril de 2002
Francelino França Reportagem Local 
Livro sugere que o local de trabalho é ótimo para relacionamentos amorosos e mostra uma série de posições extravagantes para quem quer namorar na mesa do computador ou na sala de reuniões
De repente, no meio do expediente de trabalho, um funcionário desaparece e ninguém sabe de seu paradeiro. Ele pode estar onde menos se imagina: fazendo sexo no ambiente profissional. Antes do final do expediente o tal funcionário reaparece revigorado e sorridente. Mas esse não seria um comportamento completamente irregular?
Não para a escritora Julianne Balmain, que passou anos pesquisando secretamente o Kama Sutra em ambientes tipicamente empresariais. Ela é uma incentivadora desse tipo de procedimento. Do resultado da pesquisa, surgiu o hilariante livro Kama Sutra no Local de Trabalho (lançado no Brasil pela Ediouro Livros), considerado pela autora um guia para o prazer e o deleite no ambiente profissional.
Julianne Balmain propaga em seu livro que é vital que o funcionário busque o sexo no local de trabalho. Em tempos de comportamento politicamente correto, a seriedade com que a autora aborda essa questão acaba se tornado risível. Para ela, a abordagem franca sobre sexo entre coleguinhas de trabalho deve ser mais frequente.
A autora teve acesso ao que restou do original do Kama Sutra no Local de Trabalho numa cópia descoberta em 1952, em Bombaim, na Índia. Ela fez todo esforço para preservar o sabor e a fidelidade do original, e procurou atualizar para os leitores de hoje. A primeira lição enumera as carreiras quentes e promissoras, para aqueles que se sentem como um javali selvagem.
Os entregadores noturnos podem ser alvos (uma camada de suor umedece suas têmporas, meias recém-lavadas apertam-lhes a barriga da perna, seu corpo espalha em volta o aroma do mundo exterior); assim como os nerds da informática (esses geniozinhos da informática realizam proezas incríveis). Para a autora, os departamentos de vendas ou marketing oferecem um universo de funcionários quentes, amantes de primeira, talvez por causa das personalidades extrovertidas. Mas a sábia e experiente autora avisa que é preciso um período de castidade de 90 dias e observar atentamente o ambiente e o alvo. Não dá para chegar recém-contratado e cair de boca logo na primeira semana.
Segundo o livro, as pessoas mais fáceis de serem conquistadas são aquelas que passam por um período longo de abstinência, com um pensamento latejante: vêm que estou fácil, fácil. Balmain avisa que as relações entre chefes e subordinados devem ser evitadas a todo custo. Já o kama entre departamentos (polinização cruzada) é recomendável. Sem parâmetros, deixando qualquer pesquisador abestado, a autora dessa obra contraproducente continua defendendo sua tese.
No capítulo como achar o par ideal a autora ressalta: Outros setores que vale a pena explorar são o de design, o de criação e o editorial (onde abundam amantes cheios de si, chegadinhos a uma promiscuidade). Segundo a constatação da autora, os profissionais de relações públicas são instigadores de um sadomasoquismo moderado, ou avançado.
O preconceito e o machismo escancarado invadem as páginas de Kama Sutra no Local de Trabalho. Vale destacar pérolas do nonsense: os departamentos de RH, jurídico e logística devem ser definitivamente evitados, mesmo nos casos de atração intensa. Raros são os mortais capazes de pressentir , alimentar ou sustentar uma paixão digna desse nome. O destino desse grupo é quase sempre naufragar numa frigidez que, nos piores casos, entra pela aposentadoria adentro.
Os lugares mais recomendados pela pesquisadora Julianne Balmain para esses encontros fortuitos são os corredores escuros, salas bagunçadas, salas de reuniões pouco usadas e escadas. Ela ainda recomenda as posições que dão mais ibope e até credita à mesa de computador um local de puro erotismo. A famosa rapidinha em pé é recomendada para ser deleitada ali nas barbas de todos. Para os solitários, por que não um vai-vém da cadeira?.
De leitura rápida e edificante, Kama Sutra no Local de Trabalho não rouba o tempo de quem anseia por carícias das oito às seis.
Kama Sutra no Local de Trabalho, de Julianne Balmain. Editora Ediouro Livros,


