Mais perto da MPB
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terça-feira, 02 de maio de 2006
Luciano Borborema<br> Agência Estado 
Entre CDs de estúdio e ao vivo, coletâneas e DVDs, eles somam mais de 20 trabalhos. Inspirados pela sonoridade de bandas como The Police e o amor pelo rock, reggae e o ska, somam 23 anos de carreira. São os Paralamas do Sucesso. Em entrevista, Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone revelaram como lidam com os fãs e a revolução causada pelo MP3. Também refletiram sobre o que ainda têm para mostrar após experimentarem todos os tipos de formato de gravação. E, também, como receberam a escolha da canção ''Deus lhe Pague'', de Chico Buarque, em uma enquete realizada no site da banda para definir qual música de outros artistas os fãs achavam que o power trio deveria registrar, entre outras curiosidades.
Por que escolheram o título ''Hoje'' para o mais recente trabalho?
Barone - É sempre difícil dar nomes para as músicas e o disco. Depois de meses trabalhando no CD, batizamos uma das faixas de ''Hoje''. Na hora que decidimos escolher o nome do álbum encontramos o nome dessa canção como representativo do que estamos fazendo agora.
Como receberam a escolha de ''Deus lhe Pague'', de Chico Buarque, na enquete realizada no site da banda para definir qual música de outros artistas os fãs achavam que o trio deveria gravar?
Barone - A gente fez uma homenagem para uma música densa e muito importante na história da MPB. Ficamos felizes com o resultado.
Qual música foi a segunda colocada?
Bi - ''Todo o Carnaval Tem Seu Fim'', de Los Hermanos.
Os fãs podem aguardar algo parecido para os próximos CDs?
Barone - A idéia de fazer uma enquete com os fãs da banda não é coisa nova. Um monte de banda já usou esse recurso e é uma maneira de pagar uma consideração e um respeito com os nossos fãs. Mas essa idéia de fazer uma enquete na internet e usar um pouco mais esse recurso do site oficial da banda foi a primeira vez.
E o novo DVD?
Barone - ''Os Paralamas do Sucesso'' hoje nada mais é do que o CD gravado ao vivo. Tem alguns extras e o ''making of'' da gravação do CD e algumas músicas a mais que são uma surpresa para quem adquirir o DVD (risos).
Além de estar no CD ''Hoje'', Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, vem participando dos shows dos Paralamas?
Herbert - A idéia de trazer o Andreas para participar dos shows é mostrar para a rapaziada a química que rola quando ele participa do nosso projeto.
De todas as músicas dos Paralamas, existe uma mais especial?
Bi - ''Alagados'' levou a gente para outros países e por isso nós temos um carinho especial por ela.
E nos shows, qual vocês mais gostam de tocar?
Barone - ''Meu Erro'' e ''Óculos'' levantam o público.
Barone, no site oficial da banda você assina algumas mensagens. Como é essa preocupação com os fãs que acessam o site oficial da banda?
Barone - Eventualmente colo umas mensagens, dou uma checada no que o pessoal está falando no mural e passo toda hora essas informações para o Bi e o Herbert. Acho a internet uma ferramenta sensacional.
Como vocês lidam com a revolução causada pelo MP3?
Bi - Eu não lido com esse tipo de mídia. Adoro um disquinho de verdade. Estou muito atrasado para chegar ao século 21.
Barone - Ao mesmo tempo, a gente reconhece a importância dessas novas maneiras de armazenar sons. Estamos vivendo no limiar de uma nova era, em que a música vai ter outros meios para ser passada adiante. Isso está mexendo com a maneira com que as gravadoras funcionam.
Em tempos de revival dos anos 80, qual é a importância dessa década para o rock nacional.
Herbert - É um feito bastante enérgico nos nossos corações, o fato de participar de uma geração com tanto ímpeto para concretizar suas coisas. Uma geração com Lobão, Cazuza, Kid Abelha, Magazine e tantos outros... e a gente se sente muito feliz de participar dessa geração.
Barone - Virou uma piada interna na banda, que estamos cada vez mais longe dos anos 80 e mais perto dos 80 anos (risos).
Com 23 anos de carreira, o que a banda ainda tem para mostrar?
Barone - O fato de a gente ter chegado aqui depois desse anos todos juntos ainda com essa vontade de querer tocar igual ao início da carreira, faz com que a gente tenha vontade de ir em frente. É uma coisa meio milagrosa. Num momento, a gente não tem música nenhuma. A gente se junta e, de repente, tem música. Enquanto isso acontecer vamos insistindo.


