MAIS PARTICIPAÇÃO - Família e escola dão as mãos
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segunda-feira, 14 de abril de 2003
Ana Setti<br> Reportagem Local 
No colégio estadual Lúcia Barros Lisboa, que fica no conjunto Manoel Gonçalves, zona norte de Londrina, a expectativa já é grande em relação ao evento ''Família na Escola'', incluído no calendário de atividades da rede pública há 2 anos e que vai ocorrer de 22 a 25 de abril. ''Estamos programando palestras, exposições de grupos religiosos e ligados à saúde, e até mesmo a apresentação do Coral Juvenil da UEL, no dia 24, às 16h30'', revelam Débora Maria Proença Lopes e Neide Barbosa, que atuam como professoras e supervisoras no colégio. Todo esse movimento, segundo Débora, visa ''aproximar mais os pais da escola, para que percebam a importância que têm na educação dos filhos''. Para Joyce, 16 anos, aluna do ensino médio do Lúcia Barros Lisboa, ''é importante que os pais acompanhem nossas atividades na escola, para saber tudo o que está acontecendo''. O colega Lucas, também de 16 anos, concorda e acrescenta: ''quando os pais estão mais próximos, podem cobrar um pouco mais da gente''.
E ''cobrança'', no melhor sentido da palavra, nunca é demais, de acordo com Débora, que se ressente do desinteresse e da falta de compromisso que, em geral, os alunos demonstram. ''Um ano perdido hoje não parece nada'', avisa, ''mas, no futuro, isso acaba saindo muito caro''. Nesse sentido, eventos como o ''Família na Escola'', cumprem seu papel, estimulando os pais a participar mais na conscientização de crianças e jovens sobre a importância dos estudos. Como diz Valéria da Silva Marques Assis Rubo, coordenadora da equipe de ensino do Núcleo Regional de Educação, que administra 71 escolas e colégios da rede estadual em Londrina, ''com a realização de eventos assim, temos observado uma melhora gradual, mas significativa, da participação dos pais na vida escolar dos filhos''.
Em outros aspectos, como explica Fátima Erkmann, diretora de ensino na Secretaria Municipal de Educação, a aproximação entre pais, filhos e escola também se mostra fundamental. ''Há muita carência nas crianças e quando os pais participam de atividades ligadas ao estudo, elas se sentem importantes na família, na escola e na sociedade''. Com 78 escolas e colégios, que atendem cerca de 34 mil alunos, a rede municipal valoriza muito o ''Família na Escola''. Por meio de palestras, cursos e gincanas entre pais e filhos, as escolas procuram resgatar especialmente a afetividade. De acordo com Fátima, muitos alunos que apresentam problemas de comportamento, como indisciplina, agressividade e apatia ''estão querendo chamar a atenção, querendo que as pessoas se importem com elas, com a vida delas, estão dizendo: eu preciso de amor.''
Sob essa perspectiva, Silvana Gomes dos Santos, mãe de Daniele, 15 anos, que estuda no colégio Lúcia Barros Lisboa, e Rosângela Silva da Cunha, que tem Audley e Avner, de 15 e 14 anos, na mesma escola, destacam-se como expressivos exemplos de afetuosa participação. ''Essa integração é muito importante'', afirma Silvana, ''para esclarecer as famílias sobre o equívoco de tentar repassar para a escola uma responsabilidade que é dos pais''. Rosângela vê esses encontros como uma forma de ''tornar os pais amigos dos professores e os professores, amigos dos pais''. Para ambas, não participar ''é desligamento''. Muitas vezes, os filhos reclamam dessa marcação corpo a corpo. ''Ah, os pais dos meus amigos não fazem isso'', eles dizem, conforme conta Rosângela. Mas ela tem uma resposta pronta: ''Acontece que eu sou mãe de vocês e não dos seus amigos!''
Os alunos também participam do ''Família na Escola'' com apresentações cheias de criatividade. No colégio Lúcia Barros Lisboa, a turma da 7 série de Geografia e História, da professora Maria Amélia Oliveira Marquezetti, prepara um desfile para os pais. A passarela improvisada vai ser percorrida por músicos, médicos, atletas, office-boys, garçons, secretárias, veterinários, advogados e até... modelos, algumas das profissões escolhidas pelos alunos, que trataram de buscar caracterizações adequadas a cada estilo, como ''casaquinho, saia e blusa fina por baixo'' para mostrar a advogada, de acordo com descrição de Suelen, 12 anos. É ela também quem justifica a ''encenação'': ''Queremos mostrar que qualquer pessoa, antes de se tornar um profissional, tem de passar pela escola''.


