O Free Jazz Festival será transmitido ao vivo pela TV paga. É um consolo para os que não podem ir aos shows e também para os que costumam comprar ingressos na última hora. Se você faz parte dos retardatários, esqueça. Os ingressos para as principais apresentações já se esgotaram. Pelo menos em São Paulo, que vai abrigar o evento ao lado de Rio de Janeiro, Porto Alegre e - uma das novidades desta edição - Curitiba.
DivulgaçãoMassive
Attack:
vanguarda
pop inglesaNo Rio, até ontem de manhã, a noite com o guitarrista Jeff Beck também estava com lotação máxima garantida, o que levou os organizadores a anunciar um show extra do artista para o período da tarde. O frisson em torno da presença do músico inglês é, aliás, revelador da linha estética adotada pelo festival, que ficou mais ‘‘free’’ e menos ‘‘jazz’’ ao longo dos anos. Não por acaso, a outra noite mais badalada reúne os grupos pop Kraftwerk e Massive Attack, que se apresentam juntos apenas nas capitais paulista e carioca.
O Free Jazz desse ano será realizado entre os dias 15 e 19, com os preços dos ingressos variando entre R$ 30,00 e R$ 60,00. O tiro de largada será disparado no Rio com shows de Ben Harper, Dave Mathews Band, Marc Cary, Maria Schneider Jazz Orchestra, Banda Mantiqueira e Johnny Griffin. Ali, o palco será montado no Museu de Arte Moderna.
Com as mesmas atrações, São Paulo inaugura o Festival no dia 16 no Jockey Club, onde serão instalados três palcos simultâneos e uma área de convivência para bares, restaurantes, telão de vídeos, exposição de fotos e lojas de livros e discos. Em Curitiba, o Free Jazz acontece em versão reduzida no Canal da Música, com shows de Hermeto Paschoal & Grupo e Dave Mathews Band no dia 18 e Wayne Shorter e Ben Harper no dia 19. A Folha traz uma matéria especial sobre a repercussão do evento na capital paranaense em sua edição de domingo.
DivulgaçãoJeff Beck: guitarrista vai fazer show extra no RioTambém nos dias 18 e 19, a jornada musical aporta em Porto Alegre com apresentações de Ben Harper, Massive Attack, Farofa Carioca e Jeff Beck no Teatro do Sesi. Apesar do apelo pop com o intuito de atrair o público jovem, o Festival continua mantendo o interesse dos puristas com a escalação de artistas de perfil mais tradicional - ou, pelo menos, ligados mais fortemente ao gênero que empresta o nome ao evento.
Sob essa vertente agrupam-se artistas como a compositora, arranjadora e regente Maria Schneider, o pianista nova-iorquino Marc Cary, os saxofonistas Wayne Shorter, Antonio Hart e Jane Ira Bloon (caso raro de mulher que se destacou num universo predominantemente masculino) ou o grupo Gravity (sexteto de tubas liderado pelo compositor e arranjador Howard Johnson).
O blues é representado pelo violonista californiano Keb’Mo’. O soul e o gospel ganham espaço pela voz de Mavis Staples, convocada para substituir a cantora Madeleine Peyroux, que cancelou sua apresentação por problemas nas cordas vocais. Eclético, o elenco brasileiro traz o grupo instrumental paulista Mantiqueira (indicado para o último prêmio Grammy na categoria jazz latino), a banda pop novata Farofa Carioca e artistas inclassificáveis como o consagrado Hermeto Paschoal e o desconhecido Antúlio Madureira (compositor paraibano que, como Hermeto, surpreende platéias transformando eletrodomésticos e ferramentas em instrumentos musicais).
O show mais aguardado, porém, é o que reúne no mesmo palco o grupo alemão Kraftwerk e o trio britânico Massive Attack. Numa revisão histórica, a que todos hoje se vêem obrigados a fazer diante dos abalos provocados pelos tendências eletrônicas, é possível afirmar que estaria sintetizado nesse show o passado, o presente e talvez o futuro da música pop.
Pioneiro das batidas programadas e ambiências sonoras artificiais, o quarteto alemão traz seu espetáculo completo ao Brasil com seis toneladas de equipamentos eletrônicos incluindo projetores e os célebres robôs com rostos humanos que constituem a principal atração de seu estúdio móvel Kling Klang. Serão os primeiros shows na América Latina desde que o grupo foi fundado há três décadas pelos músicos Ralf Hutter e Florian Schneider.
Kraftwerk ganhou fama nos anos 70, época em que o rock alemão tomou de assalto as lojas de discos do mundo inteiro, inclusive do Brasil. Seu último álbum, Eletric Care, foi lançado 1987. Mas o grupo está preparando um novo trabalho, do qual duas faixas serão tocadas no Free Jazz. Kraftwerk, que quer dizer ‘‘Usina de força’’, influenciou meio mundo na música pop - de David Bowie a Prodigy e Massive Attack.
E é com o Massive que eles dividem a noite mais festejada do Festival. O trio de Bristol, que assumiu a influência em entrevistas, mescla rock, ritmos eletrônicos, hip hop, dub, reggae, vocais melodiosos e climas etéreos. A receita foi batizada pela mídia britânica de trip hop, rótulo que eles rejeitam. O grupo lançou três discos, todos aclamados. O novo, Mezzanine, já integra a lista dos cinco melhores álbuns do ano, isso levando-se em conta o que foi escrito em jornais e revistas daqui e de fora.
As apresentações do Kraftwerk com o Massive Attack acontecem no dia 16 no Rio e dia 17 em São Paulo. O canal pago Multishow vai mostrar o show carioca ao vivo a partir de 21h30. Mais informações sobre o Free Jazz podem ser obtidas discando para o telefone 0800-212223. A ligação é gratuita.

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