São Paulo, 23 (AE) - Quando "Dança com Lobos" ganhou o Oscar, não foram poucos os críticos que lembraram o antecessor do belo western de Kevin Costner. Jeremiah Johnson, que no Brasil se chama "Mais Forte Que a Vingança", é a obra-prima da dupla Sydney Pollack (diretor) e Robert Redford (ator). É um dos grandes filmes americanos dos anos 70. Com base na lenda de Jeremiah Johnson, que enfrentou sozinho os índios crous, Pollack fez um western em que a consciência supera a força e o tema é o próprio conceito de civilização, com suas frágeis fronteiras.
Se você é dono de locadora já pode fazer seu pedido para receber a cópia de "Mais Forte Que a Vingança" em DVD, em outubro. A fita vai sair com toda a parafernália a que tem direito: menu interativo, escolha de cenas, trilha sonora remasterizada e o filé - o documentário intitulado "A Saga de Jeremiah Johnson", baseado no personagem real que inspirou Pollack. Difícil falar em personagem real. De Johnson, sabe-se que foi um daqueles pioneiros americanos que, desgostosos com a civilização, tomou o rumo do Oeste no começo do século passado. Foi para as Montanhas Rochosas, para levar uma vida solitária como caçador.
Por ter violado um cemitério indígena, o filme mostra, Johnson iniciou uma guerra com os índios crous. Terminou virando mito da nova fronteira. Quem primeiro se interessou pela história foi o roteirista John Milius, depois diretor de "Conan, o Bárbaro". Milius escreveu o roteiro que expressa sua fascinação por personagens nos limites da loucura, gente obsessiva que se envolve em aventuras radicais mais por conta de sua insatisfação do que pelos desafios da realidade.
Milius queria ser o diretor. Redford chamou Pollack, que mudou um pouco o conceito. Pollack não busca, como Milius, a recuperação da barbárie e do orgulho como as virtudes supremas do indivíduo. Pollack, nos seus melhores momentos - e "Mais Forte Que a Vingança" é seu grande momento no cinema -, é um esteta e um humanista. Ele se horroriza diante da brutalidade, mas quer confrontar o homem com o mito para extrair daí uma discussão sobre como se constrói uma civilização. É um belíssimo filme. Foi feito no Utah, no mesmo cenário que Redford transformou em reserva ecológica e onde ocorre o Sundance Festival. (L.C.M.) Serviço - "Mais Forte Que a Vingança" (Jeremiah Johnson). EUA, 1972. Direção de Sidney Pollack. Colorido, 116 min. Warner Home Video.

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