Mais e melhores blues
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de julho de 1998
Nelson Sato 
O blues já teve seus dias de glória no Brasil. Foi na virada da última década, quando pipocaram festivais e as gravadoras adotaram o gênero como o filão da temporada. Na esteira, uma enchente de bandas infestou bares e casas noturnas e as rádios menos padronizadas passaram a veicular programas especializados.
O fenômeno durou uns três anos, tempo suficiente para o gênero abandonar o estigma de artigo exótico e cativar novos adeptos no país. O blues tem um público fiel, que se diferencia dos seguidores de modismos musicais. Por isso, ele tem que contar com uma estrutura segmentada de divulgação no mercado fonográfico - diz por telefone Alan Ghreen, um dos sócios-proprietários do recém-fundado selo Top Cat Brasil.
ReproduçãoBig Allanbik: primeiro CD da banda volta às lojas, remasterizado e com uma faixa-bônusTop Cat Brasil é o primeiro selo do país dedicado exclusivamente à música oriunda do delta do Mississipi. Uma série de shows vai marcar, a partir de hoje, o lançamento da nova gravadora. Simultaneamente, os primeiros discos do catálogo aterrissam nas lojas esta semana. O pacote inicial inclui os CDs Live 1971 - The Lost and Unreleased Tapes de Muddy Waters; Blues Special Reserve do grupo carioca Big Allanbik; Tupi or Not Tupi da banda gaúcha A Elétrika Tribo; Jungle Jane do guitarrista norte-americano Holland K. Smith; e Swampá Blues de Fernando Noronha & Black Soul.
Sediada no Rio, a Top Cat Brasil estréia no mercado como uma extensão das atividades da Big Cat Music-6, uma empresa administrada pelos músicos da banda Big Allanbik que atua no ramo de instrumentos musicais. A nova empreitada sela uma parceria com a Top Cat Records, gravadora baseada em Dallas, no estado do Texas (EUA), cujo cast abriga artistas como Freddie King, Mama Thorton, Joe Harmonica, Robert Ealey, Big Smith, Barefoot Johnson e outras figuras de peso.
ReproduçãoHolland K. Smith: guitarrista de Dallas está no Brasil divulgando o lançamento de seu disco e da gravadoraComo a parceria é de dupla mão, Alan revela que a associação abre as portas da matriz para a contratação de artistas brasileiros e o consequente lançamento de seus discos nos Estados Unidos. Empolgado com o projeto, ele acredita que a criação da gravadora poderá finalmente fixar o blues como um gênero estabelecido e rentável no país.
Criamos a gravadora mais por necessidade do que por opção - confessa ele. Os músicos estavam sem espaço nas gravadoras. As coisas estavam difíceis. Alan, além de tocar no Big Allanbik, participa de um duo com Big Gilson, também integrante do Allanbik. Um CD da dupla faz parte do segundo pacote de lançamentos do selo, que prevê ainda um disco do pianista gaúcho Ari Borger, cujo repertório vai trazer uma faixa inédita de autoria de Herbert Vianna (dos Paralamas).
Para badalar a chegada da Top Cat ao mercado fonográfico, uma série de shows está agendada para este começo de mês, com a presença do guitarrista norte-americano Holland K. Smith. A programação começa hoje com um show no Ballroom, no Rio. Na quinta-feira, é a vez do Bourbon Street, em São Paulo. A maratona prossegue em outras casas paulistanas concluindo no dia 20, no Park Café, em Porto Alegre.


