Em boa parte do território nacional, logo ali, na sala bem ao lado de onde se exibe ''Dragão Vermelho'', pode-se ver a partir de hoje outro filme sobre dragões. A diferença é que estes, principais protagonistas de ''Reino de Fogo'' (veja a programação de cinema na página 2), não são nenhuma representação animal de um serial killer, como informa a trama do novo filme sobre Hannibal Lecter. Os bichos de ''Reign of Fire'' são milhares, de carne e osso e fogo, exército alado de lança-chamas a ameaçar o mundo daqui a 20 anos.
A história se passa num futuro próximo, com todas as características pós-apocalípticas que o cinema nos habituou a ver. Segundo o argumento, uma raça de dragões adormeceu sob a terra durante muitos séculos depois de ter devorado tudo o que havia de comestível no planeta. Acidentalmente despertados e com o apetite redobrado na Londres de hoje, eles levam cerca de uma década para aniquilar o mundo. A guerra agora é entre eles e nós. E como diz alguém, ''somente uma espécie vai sair desta com vida''. O filme propriamente abre num castelo inglês em ruínas, em 2020. E o resto é sofrível.
A aventura pode seduzir o público juvenil, mas na verdade resta pouco para a platéia adulta. Os principais combatentes contra as milhares de bestas que despejam fogo do céu são o inglês Quinn (Christian Bale, inconvincente) e o americano Van Zan (Matthew McConaughey, excessivo). Por perto está a piloto de helicóptero Alex (Izabella Scorupco), que também é a derradeira loura atraente da civilização ocidental.
Embora o conceito de embate entre humanos e dragões seja interessante como jogo de ficção, a maneira como é proposto na tela é bem mais tola do que propriamente entusiasmante. O roteiro é primário em construir situações e estabelecer diálogos, a ponto de se concluir que as melhores falas pertencem aos admiráveis dragões, e eles não dizem uma única palavra. Tudo o que precisam fazer é respirar. Por seu turno, o diretor Rob Bowman, que dirigiu diversos episódios televisivos de ''Arquivo X'' e também a versão para o cinema, é muito melhor lidando com criaturas geradas por computador do que com o time de atores. Aliás são estes seres elegantes e com enorme e letal poder de incineração, sempre fascinando nosso imaginário, que justificariam uma ida ao cinema.(C.E.L.J.)

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