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PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de novembro de 2013
Luana Borges<br> TV Press 
A sensação de "déjà vu" é inevitável em "Gaby Estrella". A primeira novela infantil do Gloob narra a trajetória de uma menina da cidade grande que se muda para a fazenda da avó, no campo, quando sua mãe recebe uma proposta irrecusável de trabalho nos Estados Unidos. Em meio à nova escola e novos amigos, a protagonista descobre seu talento para cantar. A história central soa familiar e não é à toa. Produções estrangeiras como "Hanna Montana" e "Isa TKM", que fizeram sucesso no Brasil, apostam em temáticas parecidas.
Uma fórmula bem-sucedida outras vezes pode até ser um tiro certeiro em direção ao sucesso. Até porque é o tipo de história que meninas público para o qual a novelinha é voltada gostam de acompanhar. Mas nada impede que novidades sejam apresentadas.
A trama é recheada de situações típicas da infância e pré-adolescência. Às vezes, o tom didático ressalta valores como amizade e respeito aos mais velhos. E a novela tem direito a uma aspirante a vilã, Rita, disposta a transformar a vida da personagem-título em um inferno. Protagonista e antagonista, aliás, são bem defendidas por Maitê Padilha e Bárbara Maia, respectivamente. As jovens atrizes demonstram entrosamento em cena.
Aos 12 anos, Maitê encara o primeiro papel principal de sua carreira e não faz feio quando precisa soltar a voz. Pelo contrário. É afinada e graciosa ao cantar as "músicas-chiclete" que compõem a trilha sonora da novela.
E não poderia ser diferente, já que um dos principais objetivos do canal é lançar CDs e diversos produtos com a marca Gaby Estrella. Algo já feito no Brasil com "Rebelde", da Record, e "Carrossel" e "Chiquititas", do SBT. Para não perder público para a atual trama infantil da emissora de Silvio Santos, inclusive, a novela do Gloob sai do ar exatamente antes de começar a concorrente.
Com um orçamento reduzido, a novela é inteiramente gravada em locações. O que não deixa de ser uma vantagem, já que rende belas cenas em cenários campestres. O texto, às vezes, soa contraditório. Enquanto crianças mais novas proferem um discurso maduro e nada condizente com sua idade, a protagonista, uma pré-adolescente de 12 anos, fica infantilizada quando carrega nos "tipo assim". E mais ainda ao transferir para a linguagem oral o "hashtag" utilizado nas redes sociais.
Mas termos que poderiam irritar adultos não deixam de ser uma forma de estabelecer identificação com o público-alvo. O único problema é que gírias datam demais o produto. Pode ser que, daqui a um ano, por exemplo, novas expressões surjam. E a possibilidade de sobrevida de "Gaby Estrella" através de reprises futuras diminua.


