Mês normalmente reservado a novidades na programação, dezembro deste ano está mais para frango assado que peru com farofa. Se antes, pelo menos, o período ainda servia para que algumas emissoras, como Globo e Record, testassem novos formatos de séries e programas, agora o que se vê é uma repetição de ideias espalhadas entre diferentes canais.
E muita música. Como, por exemplo, os shows usados em quase todas as redes para marcar a virada de 2011 para 2012. ''Temos, todos os anos, uma média de 40 shows. Procuramos mostrar a diversidade musical do Brasil, que é um país cheio de ritmos'', minimiza Aloysio Legey, diretor-geral do ''Show da Virada'', tradicional na Globo.
Na Rede TV!, a concorrência, embora também venha embalada com música, aposta em um especial com o pessoal do ''Pânico na TV!''. Além de Ceará, Sabrina Sato e cia., o ''Pânico da Virada'' conta com a participação de Hebe Camargo, Luciana Gimenez e Amaury Jr. E ainda os músicos Jair Oliveira, Sandra de Sá, Beto Barbosa, Gabriel O Pensador e a dupla Maria Cecília e Rodolfo, entre outros. ''Nosso especial é opção para quem curte coisas diferentes. Afinal, onde mais as pessoas podem ver a Hebe cantando com o Ceará vestido de Rei Roberto ou o Carioca de Lulu Santos cantando com o Gabriel O Pensador?'' indaga Alan Rapp, diretor do programa.
Já a Band, na mesma noite, aposta em Dudu Nobre, mas só depois da meia-noite, após exibir a festa de réveillon de várias cidades.
Velhos conhecidos das emissoras continuam marcando presença. Na Globo, ''Vídeo Show Retrô'' e a ''Retrospectiva'' continuam os mesmos, só muda o ano. A maioria dos canais abertos, aliás, reserva espaço para relembrar os fatos que marcaram 2011. Na Band, essa divisão fica entre os acontecimentos esportivos e as imagens mais impactantes.
Em compensação, um especial mais que tradicional da Globo sai de cena. Ou melhor, entra em reprise. Roberto Carlos não gravou especial este ano e a emissora reexibe no dia 25 seu show em Jerusalém, já apresentado em setembro.
Voltando à música, aliás, a novidade fica por conta do trio Ivete Sangalo, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Juntos, eles estão à frente do ''Ivete, Gil e Caetano'', programa em homenagem à mulher brasileira que junta sucessos dos três baianos. ''É um especial que fala de amores, de relacionamentos, da visão do masculino e do feminino. Mas sempre com o foco no amor, seja com dores ou alegrias, com separações ou encontros'', explica Ivete.
De mais curioso, a Globo exibe uma semana antes do Natal o show ''Festival de Promessas''. Trata-se de uma apresentação com alguns nomes da música gospel, valorizando diferentes estilos de sons evangélicos. Enquanto isso, na Record, emissora dirigida por evangélicos, Marcos Camargo sai atrás de vozes para o seu ''Coral de Rua''. Para isso, ele recruta apenas mendigos e moradores de rua, que são treinados e, no final, se apresentam. ''Foi uma experiência única. Tentei transformar a vida dessas pessoas e foram elas que transformaram a minha. É gente que divide o que não tem com quem tem menos ainda'', emociona-se o produtor musical.
Com a abertura de uma novela na faixa das 23 horas - em 2012 será a vez de ''Gabriela'' -, a Globo deixou de investir tanto em séries novas. Prova disso é que o final de 2011 é marcado por apenas um especial de dramaturgia. ''Homens de Bem'', de Jorge Furtado, reina sozinho com um elenco que conta até com o disputado Rodrigo Santoro. ''Sempre achei o texto do Jorge impecável. E trabalhar com ele também é muito bom, um verdadeiro deleite'', despista o ator, sem falar sobre a possibilidade do projeto ocupar espaço de destaque em 2012.
Já no SBT, os investimentos em séries nacionais, por enquanto, parecem fazer o mesmo caminho que marcou durante anos suas telenovelas, o das adaptações mexicanas. Não é à toa que Sílvio Santos reservou horário para dois episódios nacionais de ''Chaves''. O primeiro, com temática de Natal. E o segundo, na mesma lógica, de fim de ano.
A Record, assim como já fez nos últimos anos, vai de adaptações literárias. A primeira a ser exibida será ''O Menino Grapiúna'', telefilme baseado no romance autobiográfico escrito por Jorge Amado. Já o segundo, com Petrônio Gontijo e Bianca Rinaldi, é ''O Madeireiro'', do conto de Aluísio de Azevedo. ''Apesar de ser uma obra datada, o texto foi trazido para a atualidade. Não fizemos um trabalho de época'', adianta Bianca, que gravou algumas sequências ousadas ao lado de Petrônio. ''Como foi com um amigo, fiquei mais tranquila'', desconversa.

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