Edinelson Alves
Especial para a Folha

O Brasil nunca foi tão visitado como no ano passado. Segundo estimativa da Embratur o balanço final do ano passado deve fechar com um número recorde de 5,2 milhões de visitantes. Só para comparar: em 1994, apenas 1,8 milhão de turistas estrangeiros estiveram no País. Em 1998, ano dos últimos dados consolidados, o Brasil recebeu 4,8 milhões de turistas de fora.
Com esse desempenho, o país saltou da 43ª para a 29ª posição no ranking dos países mais procurados por visitantes estrangeiros . ‘‘O Brasil sempre teve a matéria-prima, faltava o produto’’, afirma Caio Luiz de Carvalho, presidente da Embratur. A matéria-prima são as praias de sol abundante, as Cataratas do Iguaçu, a selva Amazônica, o Pantanal. O produto: são os pacotes turísticos, a venda da imagem do País no exterior.
Até agora, os argentinos têm sido os maiores responsáveis pelo incremento no turismo. Em 1994, vieram 787 mil argentinos para o Brasil. Em 1999, 1,6 milhão, num aumento superior a 100%. Entre os principais produtos brasileiros de exportação, o turismo ocupava, em 1994, o quarto lugar, com uma receita de US$ 1,9 bilhão. Estava atrás da soja, da mineração e do café.
Na última estatística, de 1998, esta receita pulou para 3,7 bilhões, posicionado o setor em segundo lugar, ainda atrás da soja. A receita cambial mostra que o turismo teve um incremento de 94% nos últimos cinco anos. Nada cresceu tanto. Mas, mesmo que o turismo esteja se tornando uma grande fonte de dólares para o país, a situação ainda está muito longe do ideal.
O Brasil atrai muito menos turistas que o México, por exemplo, que é visitado todos os anos por cerca de 20 milhões de estrangeiros. Há um dado geográfico que conta a favor dos mexicanos: a vizinhança com os Estados Unidos. ‘‘Cerca de 80% do turismo no mundo é feito em curtas distâncias, nas fronteiras. Essa tendência, em 20 anos, não vai se alterar’’, esclarece Caio de Carvalho, da Embratur.
A explicação, ao menos em parte, para o aumento dos estrangeiros no Brasil está no fato de que a Embratur, na metade da década de 90, começou, ainda que timidamente, a ‘‘vender’’ o país no exterior. A inclusão de anúncios brasileiros em revistas direcionadas a operadores de turismo, a partir de 1998, multiplicou esforços. A Embratur também começou a priorizar mercados. Em primeiro lugar, o mercado interno, que movimenta 38 milhões de turistas. Logo em seguida, vem o Mercosul, com os argentinos em destaque, seguido de europeus, americanos e japoneses. ‘‘A idéia é sempre buscar onde há maior volume de pessoas’’, confessa Leonel Rossi, diretor para assuntos internacionais da Associação Brasileira de Agentes de Viagem (Abav-DF).

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