Mais de 15 mil pessoas prestaram homenagens a Iemanjá em Praia de Leste
Os rituais promovidos pelos umbandistas na noite de ano novo no Litoral já se tornaram uma tradição e um motivo de atração mesmo para os não-religiosos. Este ano dezenas de tendas de umbanda de Curitiba e região Metropolitana montaram suas barracas em Praia de Leste, atraindo um público de cerca de 15 mil pessoas, que acompanharam as homenagens a Iemanjá, a rainha do mar.
A preparação para a festa começou durante o dia, com a chegada das caravanas de carros e ônibus que levaram os umbandistas até o Litoral. Depois de desembarcar, eles começaram a montar as barracas, construindo altares com flores e imagens dos santos em torno dos quais acontecem os rituais.
Após o pôr-do-sol começaram os cantos e danças, acompanhados de tambores. O som contínuo dos atabaques tem um efeito quase hipnótico para quem participa ou mesmo só está assistindo. É quase impossível resistir ao ritmo cadenciado e constante. Ouvindo e sentindo a força da música de origem africana pode-se entender por que muitos são atraídos pela umbanda. É o caso do curitibano Manoel Silvestri, 20 anos, morador do bairro Mossunguê, que na noite de reveillon, tocava atabaque numa das tendas montadas em Praia de Leste. Logo que entrei na umbanda, comecei a tocar, conta ele, que trabalha como barman num restaurante da capital, e nas horas vagas frequenta a tenda Nossa Senhora dos Navegantes.
Catarse O ritual da umbanda no reveillon funciona como uma espécie de catarse coletiva, onde a pessoa deixa para trás os problemas do ano que passou e pede aos santos mais sorte para o ano que se inicia. A cerimônia é realizada às margens do oceano porque o mar, além de morada de Iemanjá, concentra fortes energias que recarregam a pessoa para enfrentar sua vida dali para frente.
Um pequeno barco cheio de bebidas, comidas, perfumes, flores, espelhos e escovas foi preparado para ser oferecido à deusa do mar que, segundo os umbandistas, é muito vaidosa. Eu coloco uma mecha de cabelo junto com um pedido e sempre dá certo, dizia a estudante Maria Gimenez, 23 anos, que participava da festa.
À meia-noite quando a praia toda era invadida pelo som dos fogos de artifício, os médiuns levaram o barco e as outras oferendas até a margem, lançando as oferendas na água. Segundo a mãe Jandira, que há 37 anos dirige cerimônias como essa no litoral paranaense, o ritual procura agradar aos santos que regem o ano que começa. Para que eles levem tudo de ruim e tragam só coisas boas, explicou a mãe-de-santo.
Nem todo mundo que participa da cerimônia está preocupado com a espiritualidade, reconhecem os umbandistas. Muitos vem aqui preocupados com dinheiro, confirma a mãe-de-santo Maria Doraci Amancio.
(I.S.)





