Mais ação e menos pastelão
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Márcio Maio<br> TV Press 
Os capítulos atuais de ''Bela, A Feia'' pouco lembram os abobalhados e cheios de piadas insossas dos primeiros meses. Apostar em cenas cômicas não é tão fácil quanto parece e, pelo visto, Gisele Joras já percebeu isso. Tanto é que quase todas as tramas da novela estão atualmente voltadas para o drama e a ação. A revelação do paradeiro de Vera, de Sílvia Pfeifer, e as confusões de paternidade do mocinho Rodrigo e sua noiva, Cíntia, de Bruno Ferrari e Carla Regina, desenrolaram uma trama densa e bem mais capaz de prender a atenção do que as trapalhadas da mocinha Bela, de Gisele Itié.
Com as oscilações entre a comédia e o drama, ''Bela, A Feia'' mais parece um amontoado de ''sitcoms''. A história conta com muitos núcleos e poucos se relacionam de maneira intensa. Em Copacabana, por exemplo, Armando e Samantha, de Raul Gazolla e Luiza Thomé, ainda não demonstraram sua função. Exatamente o oposto do que acontece na Gamboa, onde os personagens do Salão Montezuma formam o grupo mais divertido da história. Bárbara Borges e João Camargo encontraram o tom certo de cara e, desde as primeiras cenas, seus respectivos personagens - Elvira e Haroldo - são responsáveis por várias gargalhadas de quem assiste. Isso sem falar no pessoal do almoxarifado da agência de comunicação. Hortência, Luzia e Nélson, trio interpretado por Bia Montez, Roberta Gualda e Cláudio Gabriel, são impagáveis quando aparecem juntos.
Toda essa mudança abriu ainda mais espaço para a pérfida Verônica se destacar no meio de tantos aspirantes a vilões. Simone Spoladore soube aproveitar bem todos os buracos deixados por escalações equivocadas e interpretações robóticas de boa parte do elenco que contracena com ela. E fez de sua personagem a vilã mais interessante entre todas as novelas que estão no ar atualmente. A dondoca parece ter saído das páginas de uma história em quadrinhos direto para a novela da Record. E sua intérprete rouba todas as cenas, deixando claro que sair da Globo e assinar com a concorrência foi uma excelente forma de mostra o quanto foi desperdiçada em seus últimos trabalhos na tevê.
Outra grande surpresa nesta nova fase da história é Bemvindo Sequeira. Pai da mocinha, o sambista Clemente é, sem dúvida, um dos personagens mais bem construídos do folhetim. O ator sabe dosar as nuances e divide com Ester Goés alguns dos momentos mais românticos da história, quando grava os encontros e desencontros do botequineiro com a ex-vilã Bárbara, que perdeu seus traços de maldade com o caso de amor entre os dois. Como dizem alguns personagens da trama, ''o cara é capaz até de fazer o ovo ficar rosa''.
- Bela, A Feia - Record, de Segunda a Sexta, 21h


