Mais 10 mil ingressos colocados à venda para show do Kiss em SP
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 15 (AE) - Os 20 mil ingressos inicialmente colocados à venda estão esgotados, mas a produção do show "Psycho Circus", da banda americana Kiss, colocou mais 10 mil à venda e é provável que o número seja ainda maior até sábado, às 17 horas, quando abrem os portões do Autódromo de Interlagos, em São Paulo, para a jornada. Os ingressos podem ser comprados na Woodstock Discos e em três lojas da Galeria do Rock (Animal Records, Loja Hanx e Aqualung, na Rua 24 de Maio, 62). Também podem ser adquiridos pelo telefone, na Statione (0800 128202) ou no Dinners Club (0800 784440). Mais informações são fornecidas pelo telefone (011) 421-3988.
"Psycho Circus" é o maior show de rock que chega este semestre ao Brasil - o próximo, não tão megalomaníaco, é da banda Metallica, que aterrissa por aqui no dia 8. Além do barulho da banda, quatro técnicos em pirotecnia explodirão 1,2 tonelada de fogos de artifício no show, cuja potência total de som e luz chega a 1,5 gigawatts - o suficiente para manter uma cidade pequena iluminada durante toda uma noite.
O Kiss chegou na noite de quarta-feira ao Brasil. Desembarcou em Porto Alegre, onde faz show no Jockey Club na noite de hoje, às 22 horas. A banda alemã Rammstein, que abre a turnê, entraria no palco às 20h30. O equipamento para o show é transportado em dois Boeings e a equipe técnica conta com 43 profissionais.
O Kiss está no Brasil pela terceira vez (a primeira com a formação original). A turnê "Psycho Circus" estreou em outubro nos Estados Unidos, lotando o estádio de beisebol dos Dodgers. O interesse renovado pela banda, que está lotando estádios ao redor do mundo, baseia-se num recurso quase surrealista: eles retomaram as maquiagens originais dos anos 70.
É pouco para explicar a ressurreição? Bem, no rock, as coisas são assim. Outro sintoma da redenção do Kiss: o cantor e guitarrista Paul Stanley foi convidado para estrelar "O Fantasma da àpera" no Torontos Pantages Theater, no Canadá. Mais do que seus 25 discos (incluindo uma coletânea), o Kiss celebrizou um tipo de approach teatral, embora de personagens pobres, de ficção barata.
A banda surgiu em 1972 como Wicked Lester, em Manhattan, criada por Genne Simmons - cujo verdadeiro nome é Chaim Witz (ele também já assinou Eugene Klein). Na época, Simmons era professor primário e de baixo. Encontrou o cantor e guitarrista Stanley e os dois recrutaram o baterista Peter Criss (nascido Peter Crisscoula) por meio de um anúncio na revista "Rolling Stone" e o guitarrista Ace Frehley por outro anúncio no jornal "Village Voice".
Escolhidos seus personagens, assinaram contrato com Bill Aucoin, do selo Casablanca, em 1973. Em 1975, o álbum duplo "Alive!" foi gravado, já trazendo o onipresente hit "Rock and Roll All Nite". Em 1976, outro megahit, "Destroyer", feito sob a orientação do produtor de Alice Cooper, Bob Ezrin. De lá para cá, entraram no hall da fama. Gene Simmons fez pontas em filmes como "Runaway" (com Tom Selleck), "Never Too Young To Die" (com Rober Englund) e "Procurado Vivo ou Morto" (com Rutger Hauer). O country star Garth Brooks declara, em alto e bom som, que o Kiss foi "sua maior influência" quando criança. Lars Ulrich, do Metallica, engrossa o coro.
Em 1980, começou a derrocada: Peter Criss saiu, sendo substituído por Eric Carr. Frehley abusou das drogas e foi substituído por Vinnie Vincent. Em 1982, o grupo tirou as máscaras pintadas. Vincent também deixou o grupo e foi substituído por Mark St. John, que sofria de uma doença rara. Em 1985, veio Bruce Kulick, que permaneceu por uma década na guitarra. O Kiss não levou sorte naqueles anos: em 1991, o baterista Eric Carr morreu de câncer, aos 41 anos. Foi substituído por Eric Singer.
Quase uma dezena de substituições depois, eles resolveram retomar o fio da meada, agora já cinquentões. Em 1997
fizeram um disco acústico que lhes deu novo fôlego. Singer e Kulick saíram do grupo para o retorno de Frehley e Criss. Estava refeito o elo. No começo deste ano, foram indicados para um Grammy de melhor performance de hard rock. Perderam para a dupla Robert Plant e Jimmy Page (ex-Led Zeppelin).
Alemães - Já o Rammstein, que abre o show, é uma banda alemã que ainda vai dar o que falar. Vem da antiga Alemanha Oriental e o nome foi tirado do lugarejo alemão de Ramstein, onde aconteceu em 1988 um grave acidente aéreo - três jatos da força aérea americana se chocaram no ar durante um show e um deles caiu na vila, matando 80 pessoas e ferindo centenas.
Além do som inteligente, que funde o peso do metal com o que de melhor a música eletrônica vem produzindo, o Rammstein tem uma atuação explosiva no palco. O vocalista, Til Lindemann, canta em chamas, vestido com uma roupa especial. A diferença do Rammstein para o Kiss é grande. Ambos reconhecem o rock como um território propício para o happening, mas o Rammstein está ligado à tradição de invenção e têm uma consciência política da sua condição. O Kiss é pura diversão. Vai ser uma longa noite.


